Aula Pública Opera Mundi: o que a saída do Reino Unido representa para a União Europeia?

Giorgio Romano, doutor em sociologia pela USP e professor da UFABC, analisa os desdobramentos políticos e econômicos do Brexit

Redação

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Na Aula Pública, Giorgio Romano explica o que Brexit representa para a União Europeia


Após 44 anos na UE (União Europeia), o Reino Unido avança para sair do bloco europeu. Conhecida como "Brexit", a saída envolve um novo plano de organização econômica e social. No entanto, apesar do apoio de parte da população e também de dirigentes britânicos, a saída ainda desperta dúvidas, principalmente em relação às implicações comerciais. É fundamental, nesse sentido, contextualizar a participação histórica do Reino Unido na Europa para compreender como se desenha o futuro.

Essa é a análise de Giorgio Romano, doutor em Sociologia pela USP e professor da UFABC, ao discutir "O que a saída do Reino Unido representa para a União Europeia?", na Aula Pública. Para o especialista, a participação britânica nunca foi imediata e integral como a dos outros países europeus, o que significa não há possibilidade de uma ruptura radical.

"A Inglaterra nunca entrou de fato para a UE (União Europeia). É radical dizer isso, mas, numa perspectiva histórica, podemos notar que os britânicos sempre se consideraram diferentes dos outros países europeus, a tal ponto de não participar do processo de construção da Comissão Europeia — estrutura precursora da UE", diz.

Assista ao primeiro bloco da Aula Pública com Giorgio Romano: o que a saída do Reino Unido representa para a União Europeia?

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No segundo bloco, Giorgio Romano responde perguntas do público da UFABC, em São Bernardo do Campo.


"Da direita à esquerda, nunca houve entusiasmo em relação à integração europeia na Inglaterra. Apenas setores financeiros e multinacionais eram entusiastas ao projeto de abertura das fronteiras. Em contrapartida, a principal diferença entre os países europeus e os ingleses é sobre a integração política e econômica. Inglaterra sempre defendeu um comércio livre, mas sem regulações políticas e econômicas. É inimaginável para os ingleses que alguém possa tomar uma decisão que se sobreponha ao Parlamento — uma instituição milenar. Isso significa que, ao adentrar ao projeto europeu, o Reino Unido sempre tenta frear os avanços de integração. Para isso, criou mecanismos, como o opt out (escolher não participar), para estar na União Europeia de forma facultativa", explica Giorgio Romano.

Para o especialista, o voto contra a União Europeia no referendo, na verdade, representou um voto contra a austeridade e a crise que os britânicos enfrentavam. "Ninguém sabe ainda o que significa o Brexit e a saída da União Europeia. Há tanta legislação em comum, tanta integração, que as implicações ainda não foram estudadas com exatidão. Por exemplo, há 3,6 milhões de pessoas trabalhando e morando na Inglaterra com passaporte europeu", conclui.

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