Hoje na História: 1504 – David, obra-prima de Michelangelo, torna-se baluarte em praça pública de Florença

Estátua passou a simbolizar a defesa das liberdades civis consagradas em uma cidade-estado independente

Max Altman

Atualizado em 08/09/2016 às 8h

David, obra-prima da escultura renascentista esculpida entre 1501 e 1504 do gênio da arte Michelangelo Buonarotti, foi colocada em praça pública, fora do Palazzo della Signoria, sede do governo civil, em Florença, no dia 8 de Setembro de 1504.

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É uma escultura de vulto, feita em mármore, mediante técnica de moldagem. Mede 5,17 metros. A estátua representa Davi, o herói bíblico, tema preferido na arte de Florença. Originalmente criado como parte de uma série de estátuas dos profetas para ser posicionado ao longo do extremo leste da Catedral de Florença, a estátua.


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David simboliza a defesa das liberdades civis consagradas em uma cidade-estado independente

Devido à natureza do herói que representava, logo passou a simbolizar a defesa das liberdades civis consagradas na República de Florença, uma cidade-estado independente, ameaçada pelos mais poderosos estados rivais e pela hegemonia da família Medici.

A estátua foi movida para o Museu da Academia em Florença, em 1873 e, mais tarde substituída por uma réplica. Em 12 de Novembro de 2010, uma réplica de fibra de vidro do David foi instalada no telhado da Catedral de Florença por um único dia.

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Expressão facial de David foi um marco na História da Arte

Nesse dia ocorreu a disputa pela posse da estátua. Com base numa análise de documentos históricos, o Ministério da Cultura Italiana federal reivindicou a posse da estátua em oposição à cidade de Florença, onde sempre esteve localizada. Florença imediatamente se opôs à pretensão.

Michelangelo recebeu um salário mensal e um prazo de dois anos. Disseram-lhe ainda que, se seus patronos florentinos gostassem do resultado, receberia um pagamento adicional. Fiel à rapidez com que trabalhava, concluiu o trabalho antes do prazo.

Um grupo de notáveis artistas florentinos decidiu que a escultura deveria ser colocada em frente ao Palazzo Vecchio, na Piazza della Signoria. Na calada da noite, a enorme estátua saiu do ateliê, nas proximidades da catedral.

A escultura era tão grande que uma parte da parede teve de ser demolida para que ela passasse. Foram necessários 40 homens e quatro dias para levar a estátua a seu destino, apoiada em andaimes e cordas e carregada sobre cilindros. Na noite em que a escultura foi revelada ao público alguém atirou-lhe uma pedra, possivelmente em ato de solidariedade política com Donatello, cuja estátua Judite e Holofemes (1460) estava sendo substituída pelo Davi de Michelangelo.

O David de Michelangelo difere das representações anteriores. Nesta escultura, David segura a arma com que matou o gigante Golias, uma funda. A Bíblia conta que Davi valeu-se da funda para acertar-lhe uma pedra na cabeça, fazendo-o cair, para mais tarde o degolar.  O herói bíblico não é representado com a cabeça do Golias morto, como em Donatello ou nas estátuas de Verrocchio. Nenhum artista florentino anterior tinha omitido o gigante completamente. 

O contraste entre a sua expressão intensa e sua calma sugere que David já tinha tomado uma decisão de lutar contra Golias.  É uma representação do momento entre a escolha consciente e a ação consciente. Em vez de parecer vitorioso sobre um inimigo muito maior do que ele, o rosto de David olha de maneira decidida para combate. 

Os tendões no seu pescoço parecem tensos, os músculos apertados, a testa franzida, e os olhos parecem centrar-se atentamente sobre algo à distância. As veias saltam da sua mão direita abaixada, mas o corpo tem uma pose descontraída. Carrega a atiradeira sobre o ombro esquerdo. O artista examinou a anatomia humana em detalhes para compor a estátua.

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