Exército egípcio anuncia deposição de Mursi e criação de governo interino

General das Forças Armadas fez o comunicado oficial, informando também a suspensão da Constituição

Redação

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Atualizada às 19h20

As Forças Armadas do Egito, por meio do general Abdel Fattah el-Sisi, anunciaram nesta quarta-feira (03/07) que Mohamed Mursi não é mais o presidente do país. Foi anunciado também que haverá um governo de transição, comandado por Maher El-Beheiry, presidente do Tribunal Constitucional, e responsável pela convocação de novas eleições, que serão antecipadas.

A Constituição do Egito foi suspensa e os militares apoiarão o governo interino até que as novas eleições sejam realizadas, disse Sisi. Ele acrescentou que o Exército não quer tomar o poder, mas apenas auxiliar o povo, que pedia ajuda. Após o término do anúncio, milhares de pessoas começaram a comemorar na Praça Tahrir pela saída de Mursi do poder.

De acordo com a agência de notícias estatal Mena, donos de emissoras e apresentadores de televisões religiosas islâmicas foram detidos no Cairo por forças de segurança egípcias depois do pronunciamento de Sisi. Além disso, algumas emissoras foram tiradas do ar, como a Al Jazeera.

Fontes das televisões religiosas, citadas pela agência, destacaram que a polícia lhes comunicou que as prisões são medidas de precaução para impedir provocações aos manifestantes em favor de Mursi.

Vários veículos das forças de segurança percorreram as dependências do centro midiático, já que diversos desses canais recebem dirigentes das correntes que apoiam o presidente deposto. 

Agência Efe


Centenas de milhares de pessoas comemoraram nas ruas o pronunciamento do Exército 


Por meio de uma breve declaração em sua página do Facebook, o presidente egípcio, Mohamed Mursi, havia dito poucos minutos antes que "não aceitará nunca renunciar de forma humilhante a sua pátria, sua legitimidade e sua religião".

"Que saibam nossos filhos que seus pais e avôs foram homens que não aceitam a injustiça e que não aceitarão nunca renunciar de forma humilhante", dizia a mensagem. 


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As Forças Armadas do Egito tomaram hoje as ruas do país e cercaram o palácio presidencial logo que expirou o prazo do ultimato de 48 horas que haviam dado ao presidente Mursi para que negociasse com a oposição. Milhares de pessoas pró e contra o governo também saíram às ruas e se concentraram em praças.

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Agência Efe

Milhares de opositores de Mursi se concentram na Praça Tahrir, que, segundo fontes militares, foi cercada por tanques

 

Pela manhã, um dos assessores de Mursi, Esam Haddad, afirmou que estava acontecendo um "golpe de Estado" no país, que gerará muita violência. "Centenas de milhares de pessoas se reuniram em apoio à democracia e ao presidente. E não o abandonarão por esse ataque. Para impedi-los, terá que haver violência, seja do exército, da polícia ou de mercenários. Em qualquer caso, haverá um derramamento de sangue considerável", escreveu Haddad em sua página no Facebook. Ele também pediu que se chame o que está havendo no Egito agora "por seu verdadeiro nome: golpe militar".

Além disso, defendeu as tentativas do presidente nas últimas semanas de convocar um diálogo nacional, apesar da rejeição da oposição, que, por sua vez, "convidava os militares a serem os guardiões do governo no Egito". "A oposição negou categoricamente todas as opções que implicavam uma volta às urnas", destacou.

Uma fonte militar afirmou que o Exército teria fechado, com tanques, todos os acessos à Praça Rabea al Adauiya, situada no leste do Cairo, onde se concentravam partidários do regime. Entretanto, a agência estatal Mena, citando uma outra fonte militar, garantiu que as Forças Armadas estavam cercando também a Praça Tahrir e os arredores do Palácio Presidencial de Itihadiya, onde os opositores geralmente se reúnem. Segundo essa fonte, o objetivo dos militares é "garantir o máximo grau de proteção aos manifestantes nesta etapa crítica da história do Egito".

Fontes de segurança egípcia afirmam que tanto Mursi quanto os principais líderes da Irmandade Muçulmana, seu partido, estariam impedidos de sair do país. Algumas fontes declararam também que Mursi estaria em prisão domiciliar, mas não houve confirmação quanto a esse fato.

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