Crise política provoca 'divisão dramática' do país, diz cineasta brasileiro no Festival de Cannes

Em entrevista, cineasta Kleber Mendonça Filho e atriz Sônia Braga afirmaram que há riscos à democracia no país; equipe de 'Aquarius' protestou contra golpe

Redação


Clique para acessar todas as matérias e artigos de Opera Mundi e Samuel sobre impeachment

O cineasta Kleber Mendonça Filho e a atriz Sônia Braga lamentaram a "divisão" do Brasil e afirmaram que há riscos para a democracia no país durante entrevista coletiva de imprensa sobre o filme "Aquarius" no Festival de Cannes, na França, nesta quarta-feira (18/05).

Agência Efe

Sônia Braga e Kléber Mendonça Filho durante coletiva de imprensa sobre o filme "Aquarius"; artistas criticaram "divisão" do Brasil 

Segundo Kleber Mendonça Filho, a “divisão dramática” ocasionada pelo processo de impeachment de Dilma é "terrível". “[A situação] está trazendo à tona o pior dos dois lados – particularmente o lado da direita”, declarou o diretor.

Nesta terça-feira (18/05), a equipe do filme protestou contra o afastamento da presidente Dilma Rousseff durante a apresentação de “Aquarius”.

Eles seguraram cartazes em inglês e francês com os dizeres como "O mundo não pode aceitar esse governo ilegítimo", "Brasil está passando por um golpe de Estado", "Um golpe está acontecendo no Brasil". Dentro do auditório de exibição, foi estendida uma faixa com a frase "Interrompam o golpe no Brasil".

“Foi muito importante usar essa plataforma internacional aqui para expor o que está acontecendo no Brasil”, disse Sônia Braga. “Por causa da mídia tendenciosa e por causa do que as pessoas estão sentindo, o Brasil está dividido”, disse a atriz.

“Toda essa transição será prejudicial à nossa democracia, que foi difícil de obter”, acrescentou.
 

Sobre o protesto no dia anterior, Sônia disse ter ficado “entusiasmada”, especialmente com a repercussão na imprensa internacional.

“Quando vi os cartazes no tapete vermelho, fique entusiasmada. Este protesto terá o resultado certo nas mídias internacionais, enquanto não fez algo assim naqueles [meios] brasileiros", afirmou a atriz.

Kleber Mendonça Filho também fez críticas ao governo interino de Michel Temer, especialmente sobre a decisão de integrar o Ministério da Cultura à pasta de Educação.

“Eles [governo] escolheram o mês errado para extinguir o Ministério da Cultura porque um filme feito com recursos públicos está representando o Brasil em competição no Festival de Cannes”, disse o diretor.

Comentários