Janaina Cesar

Processo Condor: corte romana admite inclusão de novas provas depositadas pela defesa do Uruguai, mas rejeita ouvir novas testemunhas

Pedidos da defesa de réus também foram rejeitados; documentos evidenciam possível envolvimento do Fusna no sequestro da professora Elena Quinteros, militante anarquista que desapareceu durante a ditadura uruguaia

Janaina Cesar

A última audiência deste ano que julga a apelação do processo condor que tramita em corte romana aconteceu nesta sexta-feira (21/12) e foi marcada pela tensão.  

Por volta das 17h30, após quase três horas de espera, a sessão foi reaberta e a corte presidida pela juíza Agatella Giuffrida, admitiu a inclusão de novas provas depositadas no processo, em audiências anteriores, por Andrea Speranzoni, advogado de defesa do Uruguai.

Os documentos aceitos pela corte são inéditos, foram desclassificados recentemente e por isso não puderam ser utilizados no processo de primeiro grau que, em 17 de janeiro de 2017, condenou à prisão perpétua oito dos 33 acusados de crimes cometidos durante o período de atuação da Operação Condor.

Parte da documentação foi encontrada em arquivos do Fusna, arquivos do Departamento de Estado dos Estados Unidos e do Centro de Estudos Legais e Sociais, da Argentina. Os papéis, aos quais Opera Mundi teve acesso, no geral, se concentram nas atividades ex-tenente uruguaio Néstor Troccoli e detalham o funcionamento da colaboração entre as agências de inteligência em Montevidéu (Serviço de Inteligência da Marinha do Uruguai - Fusna) e Buenos Aires (Escola de Mecânica da Armada - Esma), em 1978.  

Os documentos evidenciam também o possível envolvimento do Fusna no sequestro da professora Elena Quinteros, uma militante anarquista que desapareceu durante a ditadura no país oriental (1973-1985).

O único documento rejeitado pela corte foi uma carta escrita à mão por Troccoli à Alfredo Astiz,  militar argentino condenado por tortura em seu país. O uruguaio era um dos militares responsáveis pelos interrogatórios do Fusna. 

De todos os acusados, é o único com chances reais de ser preso por viver em solo italiano. Ele mora em Battipaglia, pequena cidade do sul da Itália. Terra da máfia camorra, se localiza nas proximidades de Nápoles.

A corte também rejeitou todos os pedidos da defesa dos réus, assim como os pedidos do Ministério Público e da defesa do Uruguai para que fossem ouvidas novas testemunhas e algumas que já haviam deposto durante o julgamento em primeira instância.  

Após a leitura das decisões tomadas durante a longa discussão em Câmara de Conselho, a juíza Giuffrida agendou as datas das quatro próximas audiências para o ano de 2019: 21 de janeiro, 18 de fevereiro e 18 e 29 de março. Segundo Giuffrida, caso seja necessário, outras datas serão agendadas.

“Nas próximas audiências entraremos no mérito de cada documento”, disse Speranzoni, visivelmente satisfeito. Para o advogado, “é extremamente positivo que a corte tenha reconhecido a relevância e a novidade das provas apresentadas”. 

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