Segunda-feira, 6 de julho de 2026
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O novo programa do governo equatoriano para prevenir que adolescentes fiquem grávidas, chamado “Plano Família Equador”, além de ter como base o fortalecimento do núcleo familiar, como o nome indica, propõe a promoção da abstinência sexual. Ativistas dos direitos sexuais e reprodutivos, criticaram a medida por considerarem “perigoso realizar política pública baseado em valores, já que estes são variáveis”.

Flickr/ lasanta.com.ec

Marcha das vadias, realizada no Equador em 2013 para pedir o fim da violência e discriminação contra mulheres

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O plano substitui a Enipla (Estratégia Nacional Intersetorial de Planificação Familiar e Prevenção de Gravidez em Adolescentes) que, segundo o presidente Rafael Correa, não cumpriu com o objetivo de reduzir o número de adolescentes grávidas. Ao contrário, promoveu o “hedonismo mais puro e mais vazio: o prazer pelo prazer e provocou que os adolescentes, ao invés de procurar seus pais para falar sobre sexualidade, fossem aos centos de saúde para buscar informações e métodos contraceptivos”, ressaltou o mandatário, que ainda acrescentou: “O remédio era pior do que a doença. Se rompia o vínculo com a família. Apenas se falava do prazer, uma mensagem terrível”.

Junto ao anúncio realizado no dia 28 de fevereiro, Correa apresentou um balanço sobre a situação no país. De acordo com os dados, entre 2010 e 2014, o número de adolescentes entre 15 e 19 anos grávidas diminuiu de 60,61% para 56,08%. Por outro lado, a gravidez de meninas entre 10 e 14 anos aumentou de 1,98% para 2,16%.

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“Goza e então procure um centro de saúde”

“O plano família estará baseado em valores”, afirmou Correa. Para implementar essa nova abordagem sobre sexualidade, o mandatário nomeou Mónica Hernández de Phillips que, enquanto assessora da Presidência, chegou a escrever para os funcionários da Enipla criticando a maneira como estava sendo ensinada educação sexual. O posicionamento de Hernández gerou críticas entre ativistas no país favoráveis ao aborto e ao matrimônio gay.

Flickr/ pato chavez

Intervençaõ feminista realizada no Equador favorável à despenalização do aborto

Estratégia baseada em valores e família tradicional é criticada por ativistas; para presidente, plano anterior dizia: 'goza e se tiver problemas vá ao centro de saúde'

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Diante dos protestos, Correa manifestou apoio a Hernández e disse que o plano terá a família como núcleo da sociedade. Para isso, serão criadas escolas para pais nas quais eles serão educados sobre questões da sexualidade para que possam instruir os filhos.

Manifestação favorável à despenalização do aborto Correa disse ainda que no antigo Enipla o que era dito era “goza e se tiver problemas vá ao centro de saúde. Meu cachorro Segismundo também é livre, é um excesso intolerável”, proferiu antes de negar que tal visão tenha influência religiosa por propor a abstinência como alternativa.

Passo atrás

A ativista da Frente pelos Direitos Sexuais e Reprodutivos Virginia Gómez é uma das vozes críticas à medida. Em declarações ao jornal equatoriano La Hora, Gómez disse ser preocupante a falta de transparência e informação sobre o plano do governo e ponderou o risco de “realizar política pública baseado em valores, pois estes são variáveis segundo as crenças de cada um”.

De acordo com ela, a ex-Enipla estava baseada em direitos, enquanto o Plano Família Equador não considera a diversidade de famílias existentes no país.

Correa já havia se manifestado em outras ocasiões como contrário ao que ele chama de “ideologia de gênero”. “Respeito os que defendem [as questões de gênero], mas não imponham suas crenças a todos. Não existe homem e mulher natural. Só o sexo biológico não determina o homem ou a mulher, mas as condições sociais”, disse em 2013 sobre o tema.

Em outubro do mesmo ano, o mandatário ameaçou renunciar caso o aborto fosse aprovado pelo Legislativo: “Acredito na família e penso que esta ideologia de gênero destrói a família convencional que é a base da nossa sociedade”.