Quinta-feira, 8 de outubro de 2026
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O encontro dos presidentes do Brasil e da França nesta quinta-feira (28/03) foi marcado por troca de elogios em várias frentes, mas também por alfinetadas públicas quando o assunto foi o acordo entre União Europeia e o Mercosul.

Lula se apresentou rapidamente para responder a questão, feita por um jornalista, envolvendo o impasse no tratado entre os dois blocos. O brasileiro reduziu a importância das opiniões de Emmanuel Macron e afirmou que não se trata de uma discussão bilateral entre França e Brasil.

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“O Brasil não está negociando com a França. O Mercosul negocia com a União Europeia. Se o Macron tiver que brigar com alguém, não é comigo, é com os europeus”, ressaltou o líder brasileiro. “O acordo que temos hoje é mais promissor, mas como o Brasil já foi contra a primeira proposta, Macron obviamente tem o direito de ser agora”, completou Lula.

O presidente francês foi ainda mais incisivo nas palavras sobre o assunto e chegou a dizer que só se estivesse louco apoiaria um acordo como o que está na mesa de negociações hoje. “Lula teve razão de lembrar a natureza do acordo, que não é bilateral”, começou Macron, que emendou: “estamos loucos se continuarmos nessa lógica, num acordo feito há 20 anos”.

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Sintonia sobre Ucrânia

Em outras situações em que os dois países divergem houve tentativas de mostrar maior convergência, como no caso da Guerra na Ucrânia. O líder francês fez questão de ressaltar que desde o início o governo brasileiro condenou os ataques da Rússia e que Brasil e França têm em comum o principal, que é a defesa da soberania e do direito dos povos.

Ricardo Stuckert / PR
Macron se encontrou com Lula em Brasília nesta quinta-feira (28/03)

“O importante é saber que estamos no mesmo lado, do lado da soberania nacional e do respeito ao direito dos povos. A segunda parte é que tomamos decisões que podem ser diferentes a partir daí. E nesse caso quero defender a coerência dos europeus. E dizer que a França é uma potência da paz, quer o diálogo e não somos fracos”, afirmou.

Assim como o colega francês, Lula iniciou sua fala sobre o tema reconhecendo a legitimidade das reações europeias. “Eu estou há tantos mil quilômetros de distância da Ucrânia, que eu não sou obrigado a ter o mesmo nervosismo que o povo francês que está mais próximo, o povo alemão, o povo europeu”, disse Lula.

O chefe de Estado também disse que “nós fazemos parte de várias organizações internacionais onde há gente com a qual você não concorda, mas que você tem que conviver democraticamente. Não são fóruns de iguais, mas de estados.”

Venezuela

Os dois presidentes também responderam uma pergunta sobre a Venezuela onde lamentaram a ausência da candidata Corina Yoris, que não conseguiu se inscrever no sistema do Conselho Nacional Eleitoral (CNE).

Macron, por sua vez, afirmou que apoiava “tudo o que Lula disse sobre a Venezuela”.

“Não tem explicação jurídica, política, você proibir alguém de ser candidato. Disse a [Nicolás] Maduro para garantir que seja a forma mais democrática para a Venezuela voltar ao mundo com normalidade”, destacou Lula.

“Não nos desesperemos, mas a situação é grave e piorou nas últimas semanas”, frisou Macron sobre o país de Maduro.

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