Quinta-feira, 5 de março de 2026
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Em uma eleição marcada pelo forte comparecimento às urnas – 55% da população contra os 45% de médias anteriores –, a oposição libanesa, liderada pelo Hizbollah, viu sua aspiração de conquistar a maioria parlamentar frustrada, enquanto a coligação 14 de Março conseguiu praticamente repetir sua atuação em 2005 e captou sete votos a mais – 71 deputados numa câmara de 128 cadeiras. Pela primeira vez em 60 anos as eleições foram realizadas em só domingo, em vez de três domingos sucessivos.

 

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As eleições aconteceram sem grandes incidentes. E o rápido reconhecimento pela oposição de sua derrota ajudou a evitar confrontos entre os jovens partidários dos dois lados nas ruas. Hoje (8) o jovem ministro do interior Ziad Baroud deve proclamar os resultados definitivos.

 

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Numa primeira leitura, o governo ganhou na capital e no norte, regiões de forte predominância sunita. A oposição ficou com o Monte Líbano cristão e o sul, xiita. Há pequenas exceções como a vitória da oposição na região maronita de Zgorta, no norte, e a vitória do governo na cidade de Saída, no sul, onde o atual primeiro-ministro, Fuad Siniora, foi eleito deputado. O vale do Beqaa virou o fiel da balança: contradizendo as pesquisas de opinião, a vitória da lista da coligação do 14 de Março na circunscrição de Zahle por sete deputados a zero foi determinante para o resultado final.

 

Marcadas pelo pano de fundo da rivalidade sunita-xiita, a “tradição” libanesa de escolher candidatos nas listas diversas foi derrotada pela polarização estrita que revelou a força avassaladora de Saad Hariri entre os sunitas  e do Hizbollah entre os xiitas.

Apesar de sua aliança com o Hizbollah e de sua recente abertura em direção a Damasco depois de ter sido seu mais ferrenho opositor, o ex-general Michel Aoun firmou-se como o mais importante líder cristão. 

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Próximos passos

Os próximos passos serão a designação do primeiro-ministro (necessariamente sunita) e a composição de um novo governo (dividido entre cristãos e muçulmanos).

Com a mesma maioria no Parlamento, é provável que Fuad Siniora seja reconduzido ao posto, ao menos se desta vez Saad Hariri quiser assumir direitamente as responsabilidades.

A participação da oposição no governo com ou sem poder de veto é um outro ponto litigioso que paralisou o país durante os últimos anos. A questão do desarmamento do Hizbollah antes da solução do conflito no Oriente Médio pode também levar a impasses graves e confrontos violentos.

Uma certa  recomposição política com a constituição de um grupo “centrista” ao redor da figura do presidente da República Michel Sleiman ou uma aproximação de “moderados” nas duas coligações pode ajudar a superar ou pelo menos atenuar a divisão entre 8 e 14 de marco.

Enfim, em função da suas  estratégias regionais, “palpites” e “conselhos” dos padrinhos das diferentes facções, Estados Unidos, França, Síria, Arábia Saudita e Irã, podem ajudar ou prejudicar no encaminhamento das soluções.

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