Quarta-feira, 7 de outubro de 2026
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A camisa social de manga curta, a expressão simpática e o sorriso de Stephen Lerner não denunciam a fala enfática e a atuação num dos movimentos mais contundentes do início do século XXI. Entretanto, o norte-americano de 54 anos é um dos mentores do movimento Occupy Wall Street.

Desde 17 de setembro de 2011, os protestos têm ocupado as ruas de diversas cidades contra a crise econômica nos EUA e contra a crescente influência empresarial na sociedade norte-americana. Há três décadas Lerner atua na organização de movimentos trabalhistas por melhor remuneração, condições de trabalho e qualidade de vida.

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Sind bancários/divulgação

Lerner: somos um movimento horizontal, disperso, e por isso não iremos declarar apoio a nenhum candidato

Em entrevista exclusiva ao Opera Mundi na sede do Sindicato dos Bancário, em São Paulo, Lerner disse que o Occupy Wall Street fará pressão durante e após a campanha presidencial de 2012, mas não apoiará nenhum candidato. Segundo ele, é uma ação necessária, pois “a direita questiona cada vez mais” os benefícios dados aos cidadãos norte-americanos menos favorecidos. “Se (Mitt) Romney for indicado para disputar a eleição contra Obama, vocês verão esses questionamentos”, afirma Lerner.

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De acordo com ele, reintroduzir o debate sobre a desigualdade social foi uma das principais vitórias do movimento. “O poder e a riqueza estão cada vez mais concentrados nas mãos dos executivos financeiros de Wall Street”. Para Lerner, a solução é o aumento dos impostos sobre os rendimentos dos mais ricos. “Cada vez mais, o cidadão comum questiona a interferência das empresas na política norte-americana.”

Segundo ele, o Occupy Wall Street não irá apoiar ou condenar nenhum candidato. “Muitos já entenderam o nosso papel em criticar a política tradicional e até por conta de sermos um movimento horizontal e disperso em várias demandas, não iremos declarar apoio a nenhum candidato”, explica.

Obama

Apesar de se sentir desconfortável para falar em nome do Occupy sobre Barack Obama, Lerner admite que há descontentamento com o governo atual. “Para além do presidente, há ceticismo quanto ao sistema político nos EUA”, pontua. “Mesmo quando elegemos um político progressista como Obama, é difícil conquistar coisas”.

Segundo Lerner, o Occupy Wall Street terá um papel forte depois das eleições: “em 2008, elegemos Obama e ficamos parados enquanto a direita cumpria sua agenda. Não podemos deixar que isso se repita em 2012”.

Na opinião dele, o Occupy precisa se manter ativo para continuar pressionando contra os privilégios dos banqueiros enquanto a maioria da população sofre as consequências da crise econômica: “será nossa culpa, se não cumprirmos essa missão”, conclui.

Efe (29/02/2012)



Manifestantes do Occupy Wall Street protestam em frente à sede do Bak of America em Nova York 

Ocupar. E depois?

A falta de uma liderança definida e a ausência de “objetivos” são duas das críticas mais comuns ao Occupy Wall Street. Lerner minimiza esses ataques e diz que o movimento abalou os sindicatos tradicionais. “Em seis meses, o movimento cresceu muito e colocou em pauta uma questão (aumento da desigualdade nos EUA) de uma maneira que outros movimentos jamais conseguiram”.

Mas há desafios a serem vencidos na continuidade do movimento. “Temos muitas lideranças e uma lista imensa de demandas, mas não temos poder”, afirma Lerner. “Nosso desafio é utilizar essa energia e nos conectar com as organizações sociais tradicionais para sermos ainda maiores. Por outro lado, esperamos continuar a agir sem medo.”

“O Occupy Wall Street não é um movimento sem líder. São muitos líderes e muitas facetas, demandas”, explica o sindicalista. Segmentos do movimento adotaram demandas sociais diversas, diz. “Alguns foram lutar pelos direitos de quem perdeu suas casas com a crise dos títulos subprime (hipotecas); outros foram para as universidades protestar contra os crescentes custos da educação superior norte-americana; há aqueles que foram para os Occupy Work Places, ajudando a fomentar sindicatos e fortalecer a luta trabalhista”.

Resto do mundo

Para ele, “é difícil pensar em termos globais, pois cada país vive uma situação histórica e política diferente”. Mas Lerner tenta traçar alguns paralelos entre o Occupy Wall Street e outros movimentos sociais ao redor do globo. “As pessoas que tomaram a capital de Wisconsin tinham a Primavera Árabe como inspiração”. 

Segundo o ativista, os norte-americanos estão mais conscientes das mudanças sociais no resto do mundo e perceberam como estavam ficando desiguais economicamente. “Os EUA não têm uma tradição recente de protestos massivos, mas estávamos prestando atenção ao que acontecia no mundo”.

Segundo um dos mentores do movimento, Stephen Lerner, o Occupy Wall Street terá um papel forte depois das eleições

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