Sexta-feira, 17 de abril de 2026
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O governo peruano decretou na noite desta terça-feira (03/07) estado de emergência e a militarização de três províncias na região de Cajamarca (norte), após protestos contra o projeto de mineração Conga, da norte-americana Newmont, deixarem três civis mortos e 20 feridos em Celendín.

“O estado de emergência passa a vigorar nas províncias de Celendín, Hualgayoc e Cajamarca”, disse o ministro da Justiça, Juan Jiménezo, que pediu calma à população. A medida restringe o direito de reunião, a inviolabilidade da residência e a livre circulação de pessoas, entre outras coisas, disse Jiménezo.

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Efe

Mulher mostra ferida na perna logo após confronto iniciado pela polícia da província de Celedín, no Peru


Como parte das atividades de protestos que integram a greve geral, que já dura 33 dias contra o mega empreendimento de mineração Conga, os manifestantes se reuniram em frente à prefeitura da cidade cobrando do prefeito de Celendín, Mauro Arteaga García, uma posição contrária ao projeto.

Segundo Idelson Hernándes Llamo, um dos dirigentes do Comando Unitário de Luta da Região de Cajamarca, a Polícia Nacional Peruana- PNP chegou avançado violentamente contra o grupo. “Era uma manifestação pacífica e a PNP simplesmente nos atacou com tiros e bombas de efeito moral”, afirmou ao Opera Mundi.

Conforme informa o setor regional de Saúde de Cajamarca 15 pessoas ficaram feridas  alvejada por arma de fogo de supostos disparos realizados pela PNP, além da consequencia do efeito das bombas de lacrimogênea. Reynaldo Núñez, chefe do setor regional de Saúde de Cajamarca confirmou a morte de Eleuterio García Rojas, de 40 anos e de César Medina Aguilar, estudante de17 anos. O terceiro nome ainda não foi divulgado.

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Mortes e desaprovação

Agora o presidente Ollanta Humala Tarso já soma 15 mortes em seu governo na repressão contra as manifestações sociais. Só em áreas de protestos contra a mineração chegam a sete, incluindo as mortes de quatro civis em Espinar, ao sul do Peru, em maio passado. O governo de seu antecessor, Alan Garcia, contabilizou 191 mortes.

 

A medida restringe o direito de reunião, a inviolabilidade da residência e a livre circulação de pessoas, disse o governo

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Sendo o presidente mais votado nas províncias em toda a história peruana, Humala vê sua popularidade cair diante desses eleitores. Na última pesquisa realizada no final de junho, solicitada pelo jornal La República, Humala caiu de 53% de aprovação para 35% nessas localidades.

Para  Hernán Chaparroc, gerente da GFK, empresa que organizou a pesquisa, “Lima é a que ainda sustenta o nível de popularidade do governante, justamente onde se concentra o maior poder aquisitivo no país”. Os fatores de sua desaprovação apontados pelos entrevistados são que não cumpre com suas promessas (71%) e que há corrupção em seu governo (46%).

Os 75% dos entrevistados pensam que o presidente deve viajar às zonas onde existem conflitos socioambientais pelo desenvolvimento de atividades mineradoras para negociar uma solução, como é o caso da província de Espinar e da própria região de Cajamarca.

O sociólogo Aldo Panfichi aponta que o resultado da pesquisa evidência a mudança de rumo do governo Humala. “Está claro que quem votou por Humala não está satisfeito, enquanto a classe mais favorecida o respalda”. Para Panfichi, “ 60% dos entrevistados dizem que o Peru está igual e isso, para um governo que ganhou encarnando as aspirações de mudança, é bastante preocupante”, enfatizou.