Referendo no Curdistão iraquiano pede por antiga reivindicação de estado independe

Centros eleitorais do Curdistão do Iraque abriram nesta segunda-feira (25/09) votação sobre independência; consulta é marcada por tensões envolvendo Bagdá, Irã e Turquia

Ao menos 5,5 milhões de curdos foram convocados para a votação de um referendo extraoficial de independência. A região autônoma curda, que inclui as províncias de Solimaina, Duhok e a capital Irbil, além de zonas disputadas com o governo central iraquiano, abriram seus centros eleitorais às 08h00 da manhã (02h00 no horário de Brasília) desta segunda-feira (25/09). A expectativa é que de que o “sim” em favor da independência ganhe com ampla vantagem. O resultado deve sair de 24 a 48 após o meio dia desta segunda-feira. 

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A consulta é marcada por tensões desde que foi proposta pelo presidente da região do Curdistão iraquiano, Masud Barzani, atendendo à antiga reivindicação que pede reconhecimento do Curdistão como Estado. O referendo não agradou Bagdá. O governo central contesta áreas como Kirkuk, capital petrolífera do Iraque, atualmente território curdo.  O primeiro ministro iraquiano, Haider Al-Abadi, declarou que irá adotar “as medidas necessárias” para que a unidade do país seja preservada.


Além disso, os vizinhos Turquia e Irã também se declararam contra a consulta, anunciando o fechamento das fronteiras.  A Turquia anunciou sanções ainda não especificadas contra o Curdistão. O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, ameaçou bloquear as exportações de petróleo do Curdistão iraquiano. “Temos a válvula. Se a fecharmos, este assunto acaba”, ameaçou Erdogan. O Curdistão exporta atualmente cerca de 600 mil barris de petróleo por dia através de um oleoduto que passa pela Turquia e liga o Iraque ao mediterrâneo. 

O Irã também anunciou hoje o fechamento das fronteiras terrestres e aéreas a pedido do governo iraquiano, conforme detalhou o porta-voz do ministério de Exteriores iraniano, Bahram Qasemi. O presidente iraniano, Hasan Hohani, já havia se pronunciado ontem à Agência Efe dizendo que “o Irã se opõe a qualquer movimento contrário à unidade nacional do Iraque”. 

Agência Efe

Presidente curdo vota em referendo que aconteceu esta quinta (25/09).

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Reivindicação por independência já dura quase um século


Parte do deslocamento massivo da população curda ocorreu após a Operação Anfal, que durante o final dos anos 80, sob liderança de Saddam Hussein, matou mais de 100.00 curdos e destruiu mais de 3.000 mil povoados. Diversos ataques ocorreram entre 1987 e 1989, tendo destaque o bombardeio com gazes tóxicos sobre o povoado de Halabja, que deixou 5.000 mortos no norte do Iraque. Ali Hasan Al Majid, Primo de Hussein foi apelidado de “Ali, o químico” por ter chefiado o massacre. 

Em 1923, o Tratado de Lausanne deixou de reconhecer o Curdistão como Estado.  Os curdos, hoje estimados em 30 milhões, constituem a mais numerosa nação sem Estado no mundo e sua população está dividida presente na Turquia, Irã e Síria, além do Iraque. O que explica o fato do referendo ter causado tensões que vão além da fronteira iraquiana.

A região ganhou autonomia no final da Guerra do Golfo, em 1991, quando os curdos, junto com coalizão liderada pelos Estados Unidos conseguiu derrotar o governo de Saddam. O Curdistão passou a contar com exercito próprio e até com moeda própria. Com a região fortalecida, o governo central teve que destinar 17% das receitas de petróleo iraquiano ao Curdistão.

Durante a invasão americana que derrubou Hussein em 2003, Washington e de Bagdá se comprometeram com o Curdistão, prometendo um governo semi-autônomo e repasses de verbas, além da promessa de negociações sobre a independência.  No entanto o governo iraquiano não cumpriu sua parte, deixando de fazer as transferências prometidas. Hoje o Curdistão possui uma dívida estimada em 20 bilhões de dólares.

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