Vice-presidente do Equador é condenado a 6 anos de prisão; defesa fala em falta de evidências

Jorge Glas é acusado de ter recebido suborno da construtora Odebrecht em troca de concessões públicas; 'perseguição política vulgar e cruel', classificou o ex-presidente do país Rafael Correa

Esteja sempre bem informado
Receba todos os dias as principais notícias de Opera Mundi

Receba informações de Opera Mundi

O vice-presidente do Equador, Jorge Glas, foi condenado nesta quarta-feira (14/12) a seis anos de prisão por supostamente ter recebido suborno para favorecer a empresa brasileira Odebrecht em cinco projetos no país.


Clique e faça agora uma assinatura solidária de Opera Mundi

"Jorge Glas aritculou com José Conceição Santos (gerente da construtora no Equador) a concessão de contratos públicos em troca de pagamentos", concluiu a câmara criminal da Corte Nacional de Justiça equatoriana.

O advogado do vice-presidente, Eduardo Franco, afirmou que não foram mostradas evidências que comprovassem o delito de associação ilícita por parte de Glas. "Aguardamos que a sentença seja notificada e então apelaremos; mas hoje mesmo, pelo princípio do favoritismo, pediremos a suspensão da sentença, com o objetivo de que o vice-presidente da República possa obter sua liberdade", disse Franco. Glas garantiu que não renunciará ao cargo.

O ex-presidente do Equador Rafael Correa, aliado político de Glas, afirmou que o processo contra o vice-presidente se trata de uma "perseguição política vulgar e cruel". "No Equador há uma grave alteração da ordem democrática, estão atentando contra a Carta Democrática [Constituição] do país".

Reprodução/Twitter @JorgeGlas

Jorge Glas durante entrevista a uma emissora de rádio em fevereiro

Brasil e Bolívia assinam acordos de cooperação

Quase 3 milhões voltaram à pobreza na América Latina e Caribe entre 2014 e 2016, aponta relatório

Integrante da FARC é assassinado na Colômbia

 

Correa ainda disse que tal prática persecutória é uma "estratégia regional, é o mesmo que fizeram com a Dilma [Rousseff], que acusaram de tudo. Primeiro é o barão midiático, destroem a reputação da pessoa e retiram o apoio popular. Resultado é que ela era inocente mas perdeu a presidência". O ex-mandatário também citou os casos do ex-presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva e o da ex-presidente da Argentina Cristina Kirshner, comparando-os com o atual caso de Glas. "É a judicialização da política", disse Correa.

Segundo o especialista em direito criminal Salim Zaidan, em entrevista à emissora teleSUR, o vice-presidente pode apresentar um recurso de apelação. "Se o primeiro for negado, ele pode apresentar um recurso de fato, logo após um recurso de cassação e, apresentando novas provas, pode entrar com um recurso de revisão no caso de seu advogado alegar que há falsas testemunhas, relatórios de peritos maldosos ou maliciosos" explicou o analista.

Zaidan ainda assegurou que Jorge Glas só poderá ser afastado do cargo quando houver uma sentença executória de última instância, quando não existir mais a possibilidade de recursos, ou se a Assembleia Nacional do Equador decidir retirá-lo da vice-presidência em decisão política.

O especialista também disse que, diante dos votos que recebeu nas eleições presidenciais, Glas não poderia ser afastado pelo presidente do Equador, Lenín Moreno, uma vez que a vice-presidência não é um cargo de livre remoção.

Funções políticas

Em agosto desse ano, Moreno retirou as funções de Glas, em meio a uma crise na Aliança País, coalizão que levou os dois ao poder no fim de maio após vencer as eleições realizadas em abril. 

Por meio de um decreto, Moreno tomou a ação e alegou que Glas “não entendeu” o compromisso da Revolução Cidadã, que “implica servir a pátria em unidade de esforços”.

Glas está preso desde outubro, quando a Corte Nacional de Justiça do Equador ordenou a prisão preventiva do vice-presidente do país. A Procuradoria-Geral disse que havia “risco de fuga” do vice, mas ele foi preso em casa, em Guayaquil.

Outras Notícias

X

Assine e receba as últimas notícias

Receba informações de Opera Mundi

Destaques

Publicidade

A música nos livros

A música nos livros

Música clássica, música popular, música engajada, música e política, música num romance policial. Se você gosta de música, não pode deixar de conhecer esses 20 títulos da editora Alameda. Clique aqui e confira. O frete é grátis.

Leia Mais

A revista virtual
desnorteada

O melhor da imprensa independente

Mais Lidas

Últimas notícias