Hoje na História: 1929 - O massacre do Dia de São Valentim: Al Capone acerta contas com gangue rival

Embora, como de costume, exibisse um álibi perfeito, muitos não duvidavam da participação do gangster no massacre

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Max Altman (1937-2016), advogado e jornalista, foi titular da coluna Hoje na História da fundação do site, em 2008, até o final de 2014, tendo escrito a maior parte dos textos publicados na seção. Entre 2014 e 2016, escreveu séries especiais e manteve o blog Sueltos em Opera Mundi.

Atualizada em 07/02/2018 às 15:02


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Em Chicago, no dia 14 de fevereiro de1929, sicários suspeitos de estarem a serviço do chefe do crime organizado, Al Capone, eliminam sete membros da gangue de George "Bugs" Moran numa garagem da rua North Clark. O famigerado Massacre do Dia de São Valentim provocou uma verdadeira onda na imprensa centrada em e em suas atividades ilegais desafiando a Lei Seca, motivando as autoridades federais a redobrar seus esforços para encontrar evidências suficientemente incriminatórias para tirá-lo das ruas.

Alphonse Capone nasceu no Brooklyn em 1899, filho de imigrantes italianos de Nápoles. O quarto de nove irmãos, abandonou a escola no 6º grau pára se juntar a uma gangue de rua. Conheceu Johnny Torrio, chefe do crime que operava em Chicago e Nova York e aos 18 anos empregou-se num clube de Coney Island de propriedade do gangster Frankie Yale. Foi enquanto ali trabalhava que seu rosto foi cortado em uma briga, o que lhe valeu o apelido de Scarface (cicatriz na face).

Em 1917, sua namorada ficou grávida, casaram-se e se mudaram com o filho para Baltimore, onde Capone tentou construir uma vida respeitável trabalhando como guarda-livros. Em 1921, porém, seu velho amigo atraiu-o para Chicago, onde Torrio havia montado um impressionante sindicato do crime e começava a fazer fortuna com o comércio ilícito de bebidas alcoólicas, banido em 1919 pela 18ª Emenda à Constituição.

Capone demonstrou considerável sagacidade para o negócio, tendo sido indicado por Torrio como gerente de um bar clandestino. Mais tarde, Torrio encarregou-o de controlar o subúrbio de Cicero. Diferente de seu chefe, que era sempre discreto, Capone ganhou notoriedade ao lutar pelo controle do arrabalde.

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Em 1925, Torrio foi alvejado 4 vezes por Bugs Moran e Hymie Weiss, sócios de um bandido assassinado pelos homens de Torrio. Torrio sobreviveu e, levado às barras do tribunal, foi sentenciado a nove meses de prisão por tentar deter uma ação policial contra sua cervejaria. Um mês depois, chamou Capone à cadeia para dizer-lhe que estava se retirando e que lhe entregava todo o negócio.

Capone mudou seu quartel-general para o luxuoso Metrópole Hotel, tornando-se uma figura visível na vida de Chicago enquanto seu império criminoso se expandia continuamente. Depois que um procurador foi assassinado pelos sequazes de Capone, a polícia passou a agir agressivamente contra suas operações criminosas, sem poder, no entanto, provar nada contra ele. Capone comprou um imóvel luxuoso em Miami como refúgio a sua exagerada exposição.

Capone estava na Florida em fevereiro de 1929 quando deu sinal verde para a eliminação de Bugs Moran. Em 13 de fevereiro, um contrabandista ligou para Moran oferecendo-lhe vender uma carga de caminhão de uísque de alta qualidade por preço baixo. Moran mordeu a isca e na manhã seguinte dirigiu-se ao local de entrega onde deveriam comparecer também vários de seu bando. Chegou um pouco tarde e no exato momento em que chegava à garagem viu o que parecia dois policiais e dois detetives saindo de um carro e dirigindo-se à porta do prédio. Imaginando que tinha evitado por pouco uma batida policial, Moran afastou-se. Os quatro homens eram sicários de Capone e só entraram no edifício antes da chegada de Moran porque se enganaram pensando que entre os sete homens que já lá estavam um era o próprio chefão.

Usando uniformes policiais roubados e pesadamente armados, o bando de Capone surpreendeu os homens de Moran que tiveram de se enfileirar contra a parede. Imaginando que tinham caído presas de uma batida de rotina, deixaram-se desarmar. No momento seguinte, foram alvo de uma saraivada de tiros de pistola e submetralhadora. Seis morreram instantaneamente e o sétimo resistiu menos de uma hora.

A opinião pública ficou chocada com o assassinato a sangue-frio e questionavam se o pecado da bebida sobrepujava a maldade de gangsters como Capone. Embora, como de costume, exibisse um álibi perfeito, muitos não duvidavam de sua participação no massacre.

Com um mandato de Herbert Hoover, o novo presidente, o Departamento do Tesouro levou a cabo uma investida contra Capone, esperando encontrar provas suficientes de violação à Lei Seca e ai Imposto de Renda a fim de levá-lo aos tribunais. Em maio de 1929, Capone foi condenado por portar arma oculta e enviado à prisão por 10 meses. Entrementes, agentes do FBI, como Eliot Ness, um dos “Intocáveis”, continuava a reunir provas.

Em junho de 1931, Capone acusado de evasão do imposto de renda. Em 17 de outubro, principalmente com base no depoimento de dois de seus ex-contadores, foi considerado culpado. Uma semana depois foi sentenciado a 11 anos de prisão e 80 mil dólares de multas e custas processuais. Ingressou na penitenciária de Atlanta em 1932 e em 1934, transferido para a nova prisão da ilha de Alcatraz, na baía de San Francisco. Nessa altura a Lei Seca já havia sido revogada e o império de Capone, ruído.

Libertado, em 1939, após somente 7 anos de cárcere devido ao bom comportamento e créditos por trabalhos penitenciários, Capone sai doente de recidiva de sífilis contraída na juventude. Trata-se num hospital de Baltimore e em 1940 retira-se para sua casa em Miami, onde viveu até sua morte em 1947. Seu rival, Bugs Moran, morreu pouco depois de câncer de pulmão enquanto cumpria sentença em Kansas por roubo a banco.

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