Berlim celebra primeiro feriado no Dia da Mulher

Pela primeira vez, o 8 de março é feriado oficial na capital alemã; aceitação da data no país se impôs lentamente, coroando uma luta de um século

Um ano depois, ao lado da Áustria, da Suíça e da Dinamarca, a Alemanha celebrou pela primeira vez o Dia da Mulher em 19 de março. A data foi marcada por manifestações em favor do voto feminino, que as mulheres alemãs puderam exercer pela primeira vez em 1918.

Um século depois, vestida com o uniforme de cor laranja típico dos lixeiros de Berlim, a ministra alemã da Família, Franziska Giffey, andava por um subúrbio de Berlim na caçamba de um caminhão de lixo nesta quinta-feira (07/03). O objetivo: desafiar estereótipos de gênero em profissões dominadas por homens.

"Quando se trata de igualdade de gênero, avançamos muito nos últimos anos", afirmou Giffey na véspera do primeiro Dia da Mulher, que agora é também feriado oficial em Berlim. "Estamos no centésimo ano do voto feminino, mas ainda há muito por fazer", disse a ministra neste 8 de março de 2019.

"Temos que garantir que as mulheres possam atuar em qualquer profissão, e não apenas nas de liderança. Temos que garantir mais valor às profissões sociais. Temos que garantir que se faça mais contra a violência doméstica, especialmente contra as mulheres", afirmou a ministra.

Ao longo dos 110 anos desde a iniciativa de Zetkin, a compreensão do que é o Dia da Mulher mudou muito.

A celebração em 8 de março, que se consolidou depois de 1921, foi uma ideia da revolucionária russa Alexandra Kollontai. A intenção era comemorar a greve das trabalhadoras de Petrogrado [hoje São Petersburgo], no mesmo dia, em 1917. Aquela manifestação é vista como o prelúdio da Revolução de Outubro na Rússia, que ocorreria oito meses depois.

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Dia da Mulher passou a ser feriado em Berlim

Na época da República de Weimar, o Partido Social-Democrata da Alemanha, então no poder, rejeitou a data devido a reservas em relação a Lenin e a revolução russa. A data também foi descartada pelos fascistas.

Na Alemanha do pós-Guerra, o 8 de março foi amplamente rejeitado na Alemanha Ocidental, com o argumento de que se tratava de um dia de autocelebração na Alemanha Oriental. Na Alemanha comunista, o Dia da Mulher era de grande importância.

O feriado do lado oriental buscava promover a igualdade e a valorização do trabalho das mulheres, que geralmente recebiam rosas vermelhas. A Alemanha Oriental também concedia uma medalha Clara Zetkin para as mulheres e organizações que apoiaram causas feministas e socialistas no país.

No lado ocidental, as mulheres só começaram a fazer ouvir a sua voz no dia 8 de março nos anos 1970. Em 1977, as Nações Unidas declararam o 8 de março o Dia Internacional da Mulher.

Em 2019, pela primeira vez a data seria um feriado na Alemanha – mas só na cidade-Estado de Berlim, o primeiro dos 16 estados da federação a adotar essa medida.

O ministro alemão do Exterior, Heiko Maas, destacou que igualdade é "sobre representação, participação, oportunidades iguais e direitos iguais". Segundo ele, toda pessoa que "sinceramente acredita na democracia" deve lutar pelos direitos das mulheres e por igualdade "sem qualquer porém ou mas", afirmou.


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