Quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026
APOIE
Menu

A presença brasileira na COP27 ganha peso nesta terça-feira (15/11), com a chegada do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, ao Egito. O líder petista é o nome internacional mais aguardado nesta segunda semana da Conferência do Clima da ONU, que acaba na sexta-feira (18/11).

Lula desembarcou na noite desta segunda-feira (14/11) na cidade egípcia que sedia a COP27, mas a sua programação oficial no evento começa apenas na quarta-feira. Hoje, o presidente eleito descansa da viagem de cerca de 12 horas em uma residência oferecida pelo governo egípcio. À tarde, ele terá um primeiro encontro de alto nível, com o enviado especial dos Estados Unidos para o Clima, John Kerry.

Tudo que a grande mídia não mostra, do seu jeito.

Ícone Newsletter

Newsletter

Notícias internacionais, com análise crítica e independente. Sem filtros.
Ícone WhatsApp

Canal do WhatsApp

O mundo em movimento direto no seu celular. Informação pronta para compartilhar
Ícone YouTube

OM no YouTube

Opinião, contexto e coragem jornalística. Tudo no nosso canal. Sintonize em Opera Mundi

Nestes três dias de presença no Egito, Lula deve se reunir com representantes de pelo menos uma dezena de países, como China e Alemanha, além do secretário-geral da ONU, António Guterres. Nesta reta final da conferência, o discurso dele na plenária da ONU é o que gera mais expectativas, já que a maioria dos chefes de Estado de Governo dos 197 países participantes esteve presente na primeira semana do evento, iniciado no dia 8 de novembro. O presidente francês, Emmanuel Macron, falou na abertura da conferência e o americano, Joe Biden, compareceu na sexta-feira (11/11).

O presidente Jair Bolsonaro não comparecerá ao evento, ao qual nunca foi durante os seus quatro anos de mandato. Lula recebeu convite do presidente egípcio, Abdel Fatah al-Sissi, logo após o resultado do segundo turno das eleições no Brasil, mas ele não representará oficialmente o país, já que só toma posse em 1º de janeiro de 2023.

Mais lidas

Potencial do Brasil

Enquanto isso, a mobilização da sociedade civil segue a pleno vapor no Brazil Climate Action Hub. Nesta segunda-feira, um grupo de organizações, com a participação das ministeriáveis Marina Silva e Izabella Teixeira, formulou um pacote de propostas para o futuro governo nas áreas ambiental e climática.

Em outro evento, especialistas no uso da terra – que inclui agricultura, desmatamento e queimadas – apontaram que o Brasil tem tudo para ser o primeiro país do mundo a zerar as emissões líquidas de gases de efeito estufa até 2040. Isso seria possível graças a um maior controle da devastação das florestas associado a melhores práticas agrícolas.

Líder petista é o nome internacional mais aguardado nesta segunda semana da Conferência do Clima da ONU

Ricardo Stuckert

Lula desembarcou na noite desta segunda-feira (14/11) na cidade egípcia que sedia a COP27

“Se eliminarmos as emissões por uso da terra, dá uma redução de 77% nas emissões brasileiras em relação a 2005. Se considerarmos a variação de carbono no solo por manejo de pastagem, podemos tirar mais 230 milhões de toneladas que são absorvidas nos solos agrícolas. E se acrescentarmos nessa conta que é possível reduzir 200 milhões de toneladas de metano, nossas emissões praticamente seriam residuais”, detalhou Tasso Azevedo, coordenador geral do MapBiomas.

Esta terça-feira é o último dia de consultas técnicas entre as diferentes delegações na COP27, com vistas a afinar os detalhes das negociações de um texto final. Amanhã, tem início o chamado segmento ministerial, quando os ministros do Meio Ambiente, ou pasta equivalente, assumem a chefia das comitivas.

Aliança pelas florestas

Hoje o tema em foco é a energia, um aspecto crucial para a transição a uma economia de baixo carbono. Esse é também o aspecto que o ministro brasileiro, Joaquim Leite, mais tem dado ênfase na sua participação no evento, já que 85% da matriz energética brasileira vem de fontes renováveis e o governo federal mobiliza um plano de promoção das energias de baixa emissão, como o hidrogênio verde.

Na segunda-feira, o Brasil formalizou, ao lado da Indonésia e do Congo, o acordo de criação da Aliança das Florestas, que visa ampliar a cooperação entre os três países para proteger as florestas tropicais e obter recursos financeiros internacionais – públicos ou privados – para este objetivo. Juntos, os signatários detêm 52% da cobertura florestal tropical do planeta.

O problema, no caso do Brasil, é que o país não têm resultados positivos sobre a redução de desmatamento para apresentar e pleitear mais verbas. Pelo contrário: durante o governo de Jair Bolsonaro, os índices de aumento da devastação só aumentaram, chegando a uma alta de 73% nos últimos cinco anos.