OEA diz que “provavelmente” não será observadora das eleições na Venezuela

Para professor venezuelano de relações internacionais, o não convidar a OEA é uma “decisão soberana do Conselho Nacional Eleitoral”

Jonatas Campos

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O presidente da OEA (Organização dos Estados Americanos), José Miguel Insulza, disse que a entidade provavelmente não virá para a Venezuela acompanhar o processo eleitoral porque não foi convidada formalmente pelo governo do país. As declarações foram publicadas neste sábado (21/07) pelo jornal chileno La Segunda.

"Lamentavelmente, o mais provável é que não vamos estar presentes com uma missão observadora. Não porque nós não queremos, nem porque algum grupo em particular não nos pediu, mas porque a Carta Democrática Interamericana é muito clara: só podemos enviar uma missão desse caráter quanto existe um convite específico da parte dos países onde vão acontecer as eleições", declarou Insulza.

Efe

 

Para Miguel Gonzalez, professor de comércio internacional da Universidade Alejandro de Humboldt, em Caracas, o fato de o CNE (Conselho Nacional Eleitoral) não convidar a OEA como observadora do pleito do próximo dia 7 de outubro na Venezuela “é uma decisão soberana” do organismo. Ele explica que o convite deve partir do Ministério das Relações Exteriores, mas que o órgão do executivo acompanha as decisões da CNE, que indica quem convidar. “A Venezuela não utiliza mais ‘observação internacional’, mas sim, o ‘acompanhamento internacional’ como uma forma de apresentar toda nossa tecnologia no processo eleitoral”, afirmou o acadêmico.

Gonzalez também lembra que a Unasul, movimentos sociais e o Centro Center, dirigindo pelo ex-presidente norte-americano Jimmy Carter, foram convidados. Mesmo afirmando que a falta de convite é apenas uma “decisão soberana”, o professor acredita que o organismo interamericano está “politizado pelos Estados Unidos”.

Para ele, a MUD (Mesa da Unidade Democrática), conjunto de partidos de oposição que apoiam Henrique Capriles Radonski, deve convidar partidos “de direita” como o Partido Popular da Espanha e o Partido Popular da Colômbia. Na mesma medida, o PSUV (Partido Socialista Unificado da Venezuela), do presidente e candidato a reeleição Hugo Chávez, deve convidar o Partido Comunista Chinês e o Partido dos Trabalhadores, do Brasil. Gonzalez também acredita que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) brasileiro deverá enviar um representante para acompanhar o processo eleitoral.

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