Quinta-feira, 8 de outubro de 2026
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Atualizada às 9:17

O Reino Unido optou por deixar a União Europeia (UE), após 52% dos britânicos terem votado no “brexit” –  acrônimo inglês formado pela união de “Britain” (Grã-Bretanha) e “exit” (saída) – no referendo realizado na quinta-feira (23/05).

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Horas após a divulgação do resultado, o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, anunciou nesta sexta-feira (24/05) sua intenção de renunciar em outubro.

Em declaração na porta da residência oficial de Downing Street, Cameron, que fez campanha pela permanência do Reino Unido no bloco, disse que o povo britânico se manifestou e essa vontade deve ser respeitada.

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Agência Efe

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, anunciou na manhã desta sexta-feira (24/06) que vai renunciar em outubro

Também informou que as negociações com Bruxelas para estabelecer o processo de ruptura do Reino Unido da UE deverão acontecer com outro líder, que deverá ser eleito no próximo mês de outubro, quando será realizado o congresso do Partido Conservador.

“Agora que a decisão de sair foi tomada, precisamos encontrar a melhor maneira (para fazer isso)”, disse Cameron, informando que o governo se reunirá na próxima segunda-feira (27/06).

Além disso, ele tranquilizou o Reino Unido e disse que não haverá “mudanças imediatas” no livre movimento de cidadãos, mercadorias e serviços.

“A vontade do povo britânico é uma instrução que deve ser cumprida. Eu quero o bem deste país e estou honrado por ter servido e vou fazer tudo o que puder no futuro para ajudar este grande país prosperar”, afirmou.
 

'Brexit', a saída britânica, venceu com 52% dos votos, contra 48% pela permanência na UE; primeiro-ministro diz que não haverá 'mudanças imediatas'

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“O Reino Unido é um país especial, temos tão grandes vantagens, uma democracia parlamentar na qual resolvemos os grandes problemas sobre nosso futuro através de um debate pacífico, uma grande nação comercial com nossa ciência e as artes”, disse Cameron.

O Reino Unido deixará a União Europeia após 52% dos britânicos optarem pela ruptura, contra 48% que defendiam a permanência no bloco comunitário.

Os eleitores que deram o “sim” para a saída da UE chegaram a 17.410.742 votos enquanto os que defendiam a permanência somaram 16.141.241.

O presidente honorário do partido republicano da Irlanda do Norte, Declan Kearney, afirmou nesta sexta-feira que a vitória do “brexit” no conjunto do Reino Unido deve impulsionar a convocação de um referendo sobre a unidade da Irlanda.

Na Escócia, onde o “sim” para continuar na UE foi contundente, a ministra-chefe, Nicola Sturgeon, poderia impulsionar um segundo referendo pela independência como sugeriu durante a campanha.

O líder do ultradireitista UKIP (Partido pela Independência do Reino Unido), Nigel Farage, qualificou a data de hoje como “o dia da independência”, e afirmou que se trata do triunfo de gente “decente” que se enfrentou grandes corporações e os bancos, que pediam a permanência britânica na UE.

Pressões para a saída
 
Cameron convocou o plebiscito em 2015 em resposta a pressões que vinha sofrendo para levar a permanência do Reino Unido no bloco a voto popular.
 
Tanto membros do Partido Conservador de Cameron quanto opositores argumentavam que, desde o referendo de 1975, quando 67% dos britânicos optaram por continuar na então CCE (Comunidade Econômica Europeia), à qual haviam aderido dois anos antes, a população do Reino Unido não teve mais chance de se manifestar sobre a permanência do país no bloco europeu.
 
As pressões aumentaram com o crescimento eleitoral do UKIP, que defende o distanciamento político britânico em relação a Bruxelas.
 
Para o professor de Relações Internacionais da UnB (Universidade de Brasília) Virgílio Arraes, a estagnação econômica da Europa nos últimos anos foi um fator que impulsionou a campanha a favor da saída britânica da UE.
 
“Em tempos de crise a solidariedade política diminui”, afirmou a Opera Mundi o especialista, que vê uma “precipitação do Reino Unido em propor essa saída”.
 
Arraes lembra que até mesmo a Grécia, um membro com “menos porte” do que o Reino Unido e que cogitou sair da UE em 2012, sofreu uma série de pressões para que permanecesse no bloco.
 
Na avaliação de Arraes, Cameron não esperava, ao propor o plebiscito, que a pressão popular para a saída do bloco fosse tão grande. A mudança, segundo ele, veio com a emergência dos refugiados, que se intensificou no fim de 2015 e se tornou a maior da história no continente europeu. O discurso anti-imigração foi um dos principais argumentos utilizados pelos apoiadores da 'Brexit'.
 
 

*Com Agência Efe

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