Quinta-feira, 8 de outubro de 2026
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A ONG HRW (Human Rights Watch) acusou nesta sexta-feira (23/03) a Rússia de utilizar de maneira tendenciosa os relatórios dos analistas da organização sobre a situação na Síria, cujo governo é defendido publicamente por Moscou.

“O uso seletivo de nossos dados é motivo de grande preocupação”, afirmou a organização através de comunicado. O mal-estar acontece porque a Rússia utilizou no Conselho de Segurança da ONU trechos do seu último relatório, no qual a organização denuncia violações de direitos humanos pela oposição síria.

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Segundo a HRW, diplomatas russos usaram o relatório em uma sessão informal do órgão da ONU “em uma tentativa de equiparar a violência dos dois lados”.

Os responsáveis da ONG questionam que a Rússia aceite os relatórios quando estes vão contra a oposição do governo de Bashar al Assad e não se atente a eles quando denunciam as forças governamentais sírias durante um ano.

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“A Rússia não deveria escolher. Se confia em nossos dados para condenar os abusos cometidos pela oposição, também deveria dar a mesma atenção a extensa documentação das violações cometidas pelas forças governamentais e apoiar os esforços internacionais para detê-las”, ressaltou a organização.

Na última terça-feira (20) a HRW denunciou violações “graves” dos direitos humanos cometidas por grupos armados da oposição síria, como sequestros, torturas e execuções de seguidores do presidente Bashar al Assad, dentre eles, alguns civis.

A organização enviou carta ao Conselho Nacional Sírio, o principal grupo opositor, e para outras organizações, para chamar a atenção sobre os abusos contra membros das forças de segurança, partidários do governo e pessoas identificadas como “shabiha”, pistoleiros que atuam ao serviço de Damasco.

Em seu comunicado, a HRW criticou os russos por manterem o “apoio diplomático e militar” ao governo sírio. A organização lamentou que a Rússia continue se negando a reconhecer os movimentos internacionais para deter as violações dos direitos humanos na Síria.

Moscou, com o apoio de Pequim, se opôs a aprovar a condenação a Assad, caso essa não seja colocada no mesmo nível para governo e oposição.

Segundo a ONU, mais de oito mil civis morreram como consequência da repressão exercida pelas forças governamentais sírias contra a população. 

Segundo a HRW, diplomatas russos usaram o relatório "em uma tentativa de equiparar a violência dos dois lados"

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