Candidatos à presidência do México reconhecem vitória de Andrés Manuel López Obrador

Com 0,98% das urnas apuradas, AMLO tem 46,97% dos votos, contra 26,88% de Anaya, 17,45% de Meade e 6,05% de Jaime "El Bronco" Rodríguez; não há segundo turno no México

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José Antonio Meade, do PRI (Partido Revolucionário Institucional), e Ricardo Anaya, do PAN (Partido da Ação Nacional), admitiram a derrota de suas candidaturas e reconheceram a eleição de Andrés Manuel López Obrador como novo presidente do México. A apuração segue lenta - 1% dos votos -, mas mostra larga vantagem de AMLO, como o candidato é conhecido. O órgão eleitoral confirmou que López Obrador irá vencer a eleição.


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Meade concedeu a derrota por volta das 20h30 locais (22h30 no Brasil), dizendo que a tendência se mostrava "favorável" a AMLO. Por sua vez, Anaya falou em "oposição firme". "Nas causas em que nos são comuns, contará com nosso apoio. Na agenda em que dissentimos, encontrará uma oposição tão firme e frontal quanto institucional e democrática", disse.

Apoiadores de López Obrador se concentraram no Zócalo, no centro da capital mexicana. Às 21h40 (23h42 no Brasil), AMLO saiu de seu comitê central na Colônia Roma, também na região central da Cidade do México, e foi encontrar os eleitores.

Com 0,98% das urnas apuradas, AMLO tem 46,97% dos votos, contra 26,88% de Anaya, 17,45% de Meade e 6,05% de Jaime "El Bronco" Rodríguez. Não há segundo turno no México.

Se confirmado o resultado, AMLO assumirá em dezembro com o desafio de encarar as políticas cada vez mais hostis do presidente norte-americano, Donald Trump, com relação ao país vizinho, além do crime organizado e o narcotráfico, problemas cada vez mais presentes no país. Uma das prioridades do novo presidente é o combate à pobreza.

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AMLO, que é ex-prefeito da Cidade do México e disputou a presidência pela terceira vez, pode colocar fim a um longo período de hegemonia do PRI, que governou o país de modo ininterrupto de 1929 a 2000, ano em que o PAN, também de direita, assumiu os dois mandatos seguintes (de 2000 a 2006, com Vicente Fox, e de 2006 a 2011, com Felipe Calderón). Com a vitória nas eleições de 2012, o PRI voltou ao poder por meio da figura de Peña Nieto.

Nas eleições de 2006, em que concorreu pela coalizão Aliança Para o Bem de Todos (integrada pelos partidos PRD, PT e Convergência), AMLO perdeu para Felipe Calderón por uma diferença de apenas 0,58% dos votos em um pleito recheado de acusações de fraude. Semanas antes das eleições, jornalistas revelaram que o INE submeteu a gestão das bases de dados eleitorais a uma empresa que pertencia ao cunhado de Calderón por meio de contratos assinados entre 2002 e 2005 e que chegaram a um valor próximo aos US$ 150 milhões.

Durante uma entrevista, um dos representantes do PRD afirmou que, no 11º distrito, localizado no estado de Nuevo León, um dos locais de votação apresentou 961 votos. “Tudo parece normal, exceto que a lei prevê que não pode haver mais de 760 cédulas por local de votação”, afirmou. Cerca de 1,5 milhão de cédulas a mais foram registradas ao final do processo eleitoral. Ainda assim o INE decidiu considerar o pleito como sendo válido, afirmando que, caso fosse verdade “que algumas urnas foram abertas, isso não indica necessariamente uma manipulação imprópria”. O documentário Fraude, de 2006, produzido por Luiz Mandoki, narra alguns desses acontecimentos.

Já durante as eleições de 2012, as tentativas de frear uma possível vitória de AMLO ficaram a cargo da imprensa, que dirigiu sua cobertura ou para associá-lo a imagem de um líder antidemocrático, ou para enaltecer Peña Nieto. Agora, em 2018, AMLO concorre pelo Morena - partido que passou a integrar em 2012 - com um discurso centrado principalmente no combate à corrupção e ao que chama de “máfia do poder”.

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