Dinamarca vai pagar 75% do salário de trabalhadores de empresas afetadas por coronavírus

Medida tem duração mínima de três meses; mecanismo contrasta com países como Brasil, que quer autorizar empresas a cortarem metade dos salários

O governo da Dinamarca se comprometeu a pagar 75% do salário dos funcionários que trabalhem para empresas afetadas diretamente pela pandemia do coronavírus.

A medida, anunciada no último domingo (15/03), faz parte de um pacote elaborado pelo governo da primeira-ministra social-democrata Mette Frederiksen para combater o avanço do covid-19 no país.

Segundo o governo, o mecanismo tem duração provisória de três meses e o pagamento tem um teto de 26 mil coroas dinamarquesas (cerca de R$ 19 mil).


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As autoridades esperam que os 25% restantes dos salários sejam pagos pelas próprias empresas, sob a exigência de que os patrões não possam demitir os funcionários durante esse período.

"Se houver uma grande queda na atividade, então a produção irá emperrar, nós entendemos a necessidade de mandar os trabalhadores para casa, mas nós pedimos: não os demitam", disse a premiê em coletiva de imprensa.

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'Nós entendemos a necessidade de mandar os trabalhadores para casa, mas nós pedimos: não os demitam', disse premiê Mette Frederiksen

Além disso, o governo dinamarquês também anunciou o fechamento de fronteiras, de escolas e universidades, e pediu que os trabalhadores do setor público ficassem em casa.

Para trabalhadores que recebem por hora, o governo ainda se comprometeu a bancar 90% de seus rendimentos.

As medidas dinamarquesas diferem das ações que outros países tomam com relação a jornadas de trabalho e salários. O governo brasileiro, por exemplo, quer autorizar que empresas cortem temporariamente metade dos salários dos trabalhadores por conta das condições especiais de trabalho geradas pela pandemia de coronavírus.

A França, por sua vez, anunciou mudanças na sua legislação por conta do avanço do covid-19. O governo do presidente Emmanuel Macron determinou uma ampliação dos benefícios da condição chamada de desemprego técnico. O Estado francês, que já se encarregava de subsidiar aos empregadores 7,74 euros por hora, agora se comprometeu a pagar 8,03 euros a hora para empresas com menos de 250 funcionários.

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