Documentário da TV alemã mostra colaboração da Volkswagen com ditadura brasileira

Vídeo entrevista Lúcio Bellentani, ex-funcionário da Volks, que foi torturado e afirma ter sido entregue aos agentes da ditadura pela empresa; além disso, traz depoimentos de representantes da montadora e de membros do Ministério Público

Redação

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Um documentário exibido na noite desta segunda-feira (25/07) pela emissora alemã pública ARD trouxe à tona as investigações feitas pelas TVs regionais NDR e SWR e pelo jornal Süddeutsche sobre a colaboração da Volkswagen com a ditadura militar brasileira. O vídeo, de cerca de 45 minutos, pode ser visto aqui (com legendas em português).

O documentário entrevista Lúcio Bellentani, ex-funcionário da Volks, que foi torturado pelo aparato repressor e afirma ter sido entregue aos agentes da ditadura pela empresa. Além disso, traz depoimentos de representantes da montadora e de membros do Ministério Público, que investiga a ligação da VW com o governo de exceção.

A reportagem do Süddeutsche Zeitung, publicada no último domingo (24/07), aponta que a filial brasileira da Volskwagen colaborou ativamente com a ditadura no Brasil na repressão a trabalhadores. A informação foi confirmada pelo historiador Christopher Kopper, contratado pela montadora, na Alemanha.

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Reprodução

Documentário mostra colaboração da Volkswagen com ditadura brasileira

“Eu posso dizer que havia uma colaboração regular entre o departamento de segurança da VW do Brasil e os órgãos policiais do regime”, afirmou Kopper aos veículos, e citou que a Volkswagen “autorizou prisões” dentro do complexo.

"O departamento de segurança atuou como um braço da polícia política dentro da fábrica da VW", apontou. A investigação feita pelo historiador abrange os arquivos da montadora na Alemanha.

Segundo o jornal e as emissoras, a filial brasileira espionou seus trabalhadores e suas ideias políticas, e os dados acabaram em "listas negras" em mãos da polícia política. Os afetados lembram como foram torturados durante meses, após terem se unido a grupos opositores à ditadura militar.

A sede da empresa, em Wolfsburg, não se pronunciou sobre as afirmações de Kopper, que é vinculado à Universidade de Bielefeld e tem até o final deste ano para apresentar suas conclusões finais.

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