Venezuelanos vão às ruas em apoio a documento contra sanções dos EUA à Venezuela

Abaixo-assinado 'No + Trump' recolheu mais de 13 milhões de assinaturas e será entregue ao secretário-geral da ONU

Milhares de venezuelanos marcharam neste sábado em Caracas, capital da Venezuela, em apoio à entrega do documento "No + Trump" (Não mais Trump), que recolheu mais de 13 milhões de assinaturas contra as sanções econômicas impostas pelos EUA contra o país sul-americano.

Os manifestantes partiram do parque Carabobo e se dirigiram até a sede do Ministério Público da Venezuela onde o documento foi entregue. De lá, ele será enviado ao secretário-geral da ONU, Antonio Guterres.

Além do documento, foi realizada uma denúncia contra os vínculos de partidos de direita da Venezuela com grupos paramilitares da Colômbia e uma investigação contra o deputado Juan Guaidó foi aberta.

Prensa Presidencial
Abaixo-assinado 'No + Trump' recolheu mais de 13 milhões de assinaturas e será entregue ao secretário-geral da ONU

As assinaturas coletadas pela campanha "No + Trump" representam o rechaço de cidadãos venezuelanos contra as medidas ingerencistas de Washington contra a Venezuela. 

A campanha começou no dia 10 de agosto logo após o presidente norte-americano anunciar mais uma série de sanções contra o país latino-americano.

Leia o documento na íntegra:

Carta dos povos do mundo ao Secretário Geral das Nações Unidas

Como Vossa Excelência certamente conhece, dada sua honrosa e enorme responsabilidade, o governo dos Estados Unidos tem empreendido unilateralmente, com o apoio de governos adeptos e de minorias políticas da Venezuela, uma série de planejadas e ardilosas agressões econômicas, políticas e psicológicas contra a população venezuelana, com a finalidade de produzir “uma mudança de regime”, que em termos reais não é outra coisa que derrubar o governo que, no exercício dos direitos soberanos elegeram os venezuelanos e as venezuelanas em eleições livres, universais e secretas; conforme as suas leis e no exercício de sua autodeterminação como nação.

Iniciadas em 2015, na gestão do presidente Obama, com a emissão da infame Ordem Executiva segundo a qual a Venezuela, seu povo, representa “uma ameaça incomum e extraordinária” para a segurança dos EUA, que é precisamente a potência militar mais perigosa que a humanidade tenha conhecido, a mesma que em somente sessenta anos tem propiciado ao redor do mundo não menos do que 201 guerras convencionais, sem falar dos conflitos criados sob a denominada guerra híbrida ou de baixa intensidade. Desde então tem se formalizado e pretende-se legalizar perante o mundo o assédio e a destruição deste Estado Nação. Estas agressões foram exacerbadas, como Vossa Excelência sabe bem, desde a eleição do senhor Donald Trump, que em menos de dois anos tem incrementado a hostilidade econômica e financeira para asfixiar o Estado venezuelano e matar de fome a sua população. Tudo isso à luz do dia e perante esta nobre instituição, cuja razão de ser é evitar a volta da guerra, zelando precisamente pelo direito internacional. Nas últimas horas, o presidente Trump tem formalizado a espoliação dos bens nacionais da nação bolivariana e ameaça os países sócios, colocando em risco a segurança de 30 milhões de habitantes. As sequelas deste ato criminoso atingem, tal como se pretende, limites brutais e desumanos, impedindo o acesso aos alimentos, medicamentos e insumos importados imprescindíveis, incluindo tratamentos médicos de emergência e peças de reposição essenciais para as tarefas coletivas. Ninguém escapa delas. Todos, crianças e idosos, homens e mulheres, partidários do governo e opositores, todos são vítimas deste ataque canalha, contrário ao ordenamento legal que rege as Nações Unidas e os elementares princípios e direitos humanos. Ao longo da sua história, nenhum governo venezuelano tem enviado sua força armada para agredir ninguém, exceto para liberar seus irmãos do primeiro colonialismo invasor. Como expressou o Libertador Simón Bolívar ao agente diplomático norte-americano Baptist Irvine: “Não permitirei que sejam ultrajados nem desdenhados o Governo e os direitos da Venezuela. Defendendo-os contra a Espanha, tem desaparecido uma grande parte da nossa população e o restante que fica almeja por merecer igual sorte. O mesmo é para a Venezuela combater contra a Espanha do que contra o mundo inteiro, se o mundo todo a ofende”…

Na Venezuela acreditam na resolução pacífica dos conflitos. Jamais tem sido, nem são nem serão uma ameaça para nenhum povo do mundo, nem pretendem dominar ou explorar ninguém. Pelo contrário, habitam neste país milhões de irmãos de todas as partes da América e do mundo, que constituem quase um quarto de sua população.

Não acreditam que o povo dos Estados Unidos tenha outorgado mandato aos seus governos para agredir e invadir outras nações. Estes o fizeram e o fazem, porém, em nome de um Destino Manifesto que representam, como predisse Simón Bolívar, a verdadeira ameaça para a América, nos últimos 150 anos tem infetado de ditadores e misérias em nome da liberdade.

Assim, pois, Excelentíssimo Dr. Guterres, os povos do mundo dirigimo-nos a Vossa Excelência para que, em seu caráter de Secretário Geral da ONU, não só eleve a sua voz perante tão injusta e vil agressão, mas também para lhe exigir que seja protegida esta Nação deste insólito crime, pois os que sucumbirão serão a ordem e as leis internacionais que têm mantido a humanidade livre de um conflito planetário. É por isso que solicitamos, sendo a Venezuela país membro, que o Sistema das Nações Unidas exija a cessação desta brutal agressão contra esta Pátria e acione os mecanismos existentes para a proteção do povo venezuelano, e que seja garantido o pleno direito que têm todos seus habitantes ao desenvolvimento humano e à vida plena.

*Com teleSur

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