Em documento do Wikileaks, embaixador dos EUA diz que golpe em Honduras 'foi ilegal'

Em documento do Wikileaks, embaixador dos EUA diz que golpe em Honduras 'foi ilegal'

Marina Terra

Em meio à série de documentos confidenciais de embaixadas norte-americanas ao redor do mundo, revelada pelo site WikiLeaks neste domingo (28/11), um diz respeito diretamente a Honduras. O embaixador no país em 2008, Hugo Llorens, comenta em um dos arquivos um mês após o início da crise institucional no país centro-americano que, sem dúvidas, "os militares, a Corte suprema e o Congresso Nacional conspiraram no dia 28 de junho no que constituiu um golpe ilegal e inconstitucional contra”, o ex-presidente Manuel Zelaya. Washington não admitiu imediatamente que houve um golpe em Honduras, ao contrário da maioria dos países da região.

Reprodução - NYT


Llorens acrescenta no documento que “não importando as acusações que pesavam sobre Zelaya, sua saída forçada de Honduras foi claramente ilegal e a entrada de [Roberto] Micheletti como ‘presidente interino’, foi totalmente ilegítima”. A embaixada afirma nas mensagens que os argumentos dos "defensores do golpe do dia 28 de junho" são "muitas vezes ambíguos", e Llorens diz ter consultado "especialistas em legislação em Honduras", mas afirma entre parênteses que "(não pode encontrar uma visão profissional não tendenciosa em uma Honduras com um clima politicamente pesado)".

No texto revelado pelo WikiLeaks, a embaixada em Honduras reconhece que nunca foi demonstrado que o presidente Zelaya havia burlado a lei e afirma que o argumento de que tentava se prolongar no poder era uma suposição. O documento, revelado pelo jornal The New York Times, mostra que os argumentos apresentados por Micheletti e pelos militares e políticos golpistas "não tinham qualquer validade substancial" e que "alguns são abertamente falsas".

Entre os destinatários estão o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon, e o assistente especial de Barack Obama e diretor para Assuntos do Hemisfério Ocidental do Conselho de Segurança Nacional, Dan Restrepo.

Poucos meses após o golpe, a secretária de Estado, Hillary Clinton, restabeleceu as relações com Tegucigalpa e reativou novamente a ajuda financeira para o presidente Porfírio Lobo.

Leia mais:
Justiça da Suécia confirma ordem de prisão para fundador de Wikileaks
Análise: Uma guerra ao Wikileaks?
Justiça sueca retira ordem de prisão contra fundador do Wikileaks
ESPECIAL: Escândalo do Wikileaks reativa debate sobre a guerra no Iraque
Eleição legislativa nos EUA pode mudar os rumos da política no país
Documentos dos EUA revelam mortes de civis e missões secretas no Afeganistão
Wikileaks: Militares dos EUA mataram 680 civis iraquianos em postos de controle 

Zelaya

Em Santo Domingo, onde vive, o ex-presidente Zelaya criticou a “dupla moral” da diplomacia dos EUA com Honduras e com outros países ao redor do mundo, mas comemorou a revelação dos documentos pelo WikiLeaks.

“Este documento nos ajudará a formular um processo no Tribunal Penal Internacional [TPI] para denunciar os EUA como estado violador dos direitos humanos, pois não tomou nenhuma atitude frente ao golpe de Estado (...) a revelação do WikiLeaks os compromete muito, principalmente o presidente Obama porque, conhecendo o delito, o encobriu” afirmou Zelaya em entrevista à rede venezuelana teleSUR.

O ex-presidente Manuel Zelaya foi derrubado em um golpe de Estado no dia 28 de junho de 2009, executado por efetivos militares de seu país.

Posteriormente, foi entregue à Costa Rica, mas retornou clandestinamente a Honduras alguns meses depois e refugiou-se na embaixada brasileira em Tegucigalpa até quando assumiu o poder Porfírio Lobo, em janeiro de 2010, momento no qual exilou-se na República Dominicana.


Siga o Opera Mundi no Twitter  
Conheça nossa página no Facebook 
 

Comentários

Leia Também