Sexta-feira, 15 de maio de 2026
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O governo da Etiópia anunciou um “cessar-fogo unilateral” em Tigré depois que as forças regionais lideradas pelo partido Frente Nacional de Libertação do Povo de Tigré (TPLF) reconquistaram a cidade de Mek’ele, capital da região localizada no norte do país, na noite desta segunda-feira (28/06).

“Para que os agricultores possam cultivar em paz, para que as ajudas humanitárias possam ser distribuídas e que as forças do TPLF possam retomar o caminho da paz, um cessar-fogo unilateral e incondicional foi proclamado a partir de hoje, 28 de junho, até o fim da temporada de colheita”, informou em nota o governo.

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Mek’ele estava sob o controle do Estado desde o fim de novembro de 2020, quando o governo fez uma “ofensiva final” para retirar o poder dos apoiadores do partido TPLF.

“A região ocidental de Tigré está livre”, chegou a escrever o premiê na época, afirmando que o Exército estava “prestando ajudas e serviços nas áreas libertadas”.

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A etnia tigré, da qual o TPLF represente, corresponde a 96% da população da região e 6% dos etíopes. A TPLF foi a principal força política no país durante décadas, mas reclama de ter sido marginalizada do governo federal com a ascensão de Ahmed, da etnia oromo, em abril de 2018.

Medida tomada de forma unilateral foi anunciada depois que forças oposicionistas retomaram poder no território

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Região de Tigré passou 8 meses sob comando intervencionista do primeiro-ministro do país

Eleições em meio ao conflito 

Na semana passada, em 23 de junho, um ataque aéreo atingiu um mercado em Tigré deixando dezenas de mortos e feridos.

O atentado ocorreu na noite de terça-feira (22/06) em Togoga, a 25 km da capital da região, Mek’ele, um dia após as eleições nacionais no país para eleger parlamentares e governos regionais. 

A eleição que deveria ter ocorrido em agosto de 2020 foi adiada duas vezes por conta da pandemia de covid-19 e por problemas de logística e segurança.

Além da guerra na região de Tigré, diversas são as áreas em que os partidos de oposição se retiraram da disputa por conta de “excesso de poder” do governo do premiê Abiy Ahmed, que estaria interferindo nas campanhas eleitorais.

Esse é o primeiro teste eleitoral para Ahmed desde a sua chegada ao poder, em 2018. O líder prometeu fazer com que o país vivesse em um “espírito democrático”, recebendo inclusive o Nobel da Paz de 2019 após libertar milhares de opositores presos e encorajar o retorno do exílio de diversos representantes. Também foi reconhecido o esforço para acabar com o conflito com a Eritreia.

O Partido da Prosperidade, do primeiro-ministro, tem a maior quantidade de candidatos para o Parlamento e é o favorito para vencer novamente.

Segundo as Nações Unidas, o combate no norte do país deixou, além de milhares de mortes, mais de 350 mil moradores sem casa e em situação de extrema pobreza.

(*) Com Ansa.