Relatório final confirma colaboração da VW do Brasil com ditadura e diz que empresa era 'leal' a militares

Opera Mundi acompanha o caso extensivamente há mais de três anos, desde que a Comissão Nacional da Verdade (CNV) passou a investigar os arquivos brasileiros da Volkswagen; leia íntegra do relatório

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O relatório final da investigação interna da Volkswagen sobre sua participação na repressão durante a ditadura militar, elaborado pelo historiador Christopher Kopper e apresentado nesta quinta-feira (14/12) em São Bernardo do Campo, confirma a estreita colaboração entre o Departamento de Segurança da montadora e o regime e aponta a “lealdade” da empresa para com os militares.


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“A VW do Brasil foi irrestritamente leal ao governo militar e compartilhou os seus objetivos econômicos e de política interna. A correspondência com a diretoria em Wolfsburg evidenciou até 1979 um apoio irrestrito ao governo militar que não se limitava a declarações de lealdade pessoais”, afirma Kopper.

Opera Mundi acompanha o caso extensivamente há mais de três anos, desde que a Comissão Nacional da Verdade (CNV) passou a investigar os arquivos brasileiros da Volkswagen. A íntegra do relatório divulgado nesta quinta pode ser baixada aqui.

Segundo Kopper, a chefia da segurança da Volks tinha relações diretas com os agentes da repressão e as ações da ditadura eram de conhecimento tácito da diretoria da empresa.

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Volkswagen do Brasil

Volks era 'fiel' à ditadura, diz relatório

“Em 1969, iniciou-se a colaboração entre a segurança industrial e a polícia política do governo (DEOPS), que só terminou em 1979. Essa colaboração ocorreu especialmente através do chefe do departamento de segurança industrial Ademar Rudge, que, devido a seu cargo anterior como oficial das Forças Armadas, sentia-se particularmente comprometido com os órgãos de segurança. Ele agia por iniciativa própria, mas com o conhecimento tácito da diretoria.”

“O delegado Lúcio Vieira, da polícia política, comunicou aos seus superiores sobre a boa colaboração com o departamento de segurança durante as investigações contra os comunistas na VW. Os comunicados do departamento de segurança sobre folhetos e jornais ilegais encontrados ajudaram a polícia política a apurar informações sobre atividades comunistas na VW, fechando o círculo dos suspeitos”, prossegue o historiador.

Em julho, ao ser entrevistado pelas emissoras alemãs NDR e SWR e pelo jornal Süddeutsche ZeitungKopper já havia classificado o departamento de segurança como “um braço da polícia política dentro da fábrica da VW”.

Fritz Stangl

Segundo a CNV, o responsável pela criação do aparato repressivo dentro da Volkswagen do Brasil teria sido Fritz Paul Stangl, criminoso nazista que fugiu para o Brasil depois da Segunda Guerra Mundial.

No capítulo dedicado à repressão aos operários, intitulado ‘Violações de direitos humanos dos trabalhadores’, a CNV escreve que Stangl, preso no Brasil em 1967 e extraditado para a Alemanha, foi o “funcionário da Volkswagen do Brasil responsável pela montagem do setor de vigilância e monitoramento” da unidade do ABC paulista. O aparato acompanhava de perto o dia a dia da fábrica e, especialmente atento às atividades sindicalistas consideradas “subversivas”, estava em constante contato com órgãos da repressão do governo brasileiro na ditadura.

O relatório de Kopper, no entanto, diz que a conclusão da CNV está “incorreta”. “A VW do Brasil o contratou para tarefas de manutenção sem conhecimento do seu histórico e somente após a sua prisão ficou sabendo dos seus crimes de guerra”, afirma. A figura de Stangl é descrita em um capítulo exclusivo do relatório.

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