Hoje na História: 1919 - Alemanha adota primeira constituição republicana

Quando o país estava prestes a perder a guerra, eclodiu uma revolta em Berlim e a marinha se amotinou; o imperador Guilherme II abdicou e o socialista Philipp Scheidemann proclamou a república
Max Altman (1937-2016), advogado e jornalista, foi titular da coluna Hoje na História da fundação do site, em 2008, até o final de 2014, tendo escrito a maior parte dos textos publicados na seção. Entre 2014 e 2016, escreveu séries especiais e manteve o blog Sueltos em Opera Mundi.


Clique e faça agora uma assinatura solidária de Opera Mundi

Atualizada em 10/08/2017 às 14:38

Em 11 de agosto de 1919, Friedrich Ebert, membro do Partido Social-Democrata e presidente provisório do Reichstag (parlamento alemão) assina uma nova constituição, conhecida como a Constituição de Weimar, criando oficialmente a primeira democracia parlamentar republicana na Alemanha. Após a assinatura do armistício que pôs fim à Primeira Guerra Mundial e a abdicação do imperador alemão, surgiu a república na Alemanha.

Quando o país estava prestes a perder a guerra, eclodiu uma revolta em Berlim e a marinha se amotinou. O imperador Guilherme II abdicou e partiu para a Holanda com a família. O socialista Philipp Scheidemann proclamou a república. Dois dias depois pediria o armistício aos aliados. A Assembléia reunida na cidade de Weimar vota a nova Constituição. Esta carta magna cria uma república democrática e parlamentar composta por 17 Länder (estados). A chegada de Hitler ao poder em 1933 colocaria fim a este regime político.

Wikicommons

Primeira e última páginas da Constituição de Weimar

Sistema neoliberal coloca trabalhadores uns contra os outros, diz Noam Chomsky

1807: Assinada Paz de Tilsit, auge do reinado de Napoleão

1954: Cessar-fogo na Indochina

 

Ainda antes de a Alemanha reconhecer sua derrota diante das forças aliadas nos campos de batalha da Primeira Guerra Mundial, o descontentamento e a turbulência política grassavam no front doméstico, enquanto o povo alemão, acossado pela fome, expressava sua angústia e desespero com greves operárias em larga escala e motins no seio das forças armadas.

No começo de 1916, a Alemanha era governada basicamente por uma ditadura militar exercida pelo Comando Supremo do Exército chefiado pelos generais Paul von Hindenburg e Erich Ludendorff. No final de outubro de 1918, porém, com a derrota despontando no horizonte, Hindenburg pressionou o kaiser Guilherme II e o governo germânico a formar um governo civil a fim de negociar o armistício com os aliados. O kaiser e o Reichstag, em decorrência, emendaram a constituição de 1871 em vigor, criando efetivamente uma democracia parlamentarista na qual o chanceler (primeiro-ministro) da Alemanha, príncipe Max von Baden, responderia "não" a Guilherme II e "sim" ao Reichstag.
 
Esta medida, no entanto, não foi suficiente para satisfazer as forças de esquerda no interior da Alemanha, que capitalizavam o descontentamento popular e a desorganização administrativa decorrente dos derradeiros e inúteis esforços de guerra. Convocaram uma greve geral para o dia 7 de novembro, coincidindo com o primeiro aniversário da Revolução de Outubro na Rússia, conclamando pelo estabelecimento de uma república socialista mais ou menos nos moldes do regime bolchevique.

Na esperança de pacificar os comunistas e os socialistas, von Baden transferiu seus poderes a Ebert, o líder do Partido Social-Democrata (SPD), em 9 de novembro. Nos seis meses subsequentes, o Reichstag, comandado pelo SPD, trabalhou na redação de uma constituição que pudesse consolidar a condição da Alemanha como uma democracia parlamentar derrotando os comunistas e de certa forma traindo os anseios de boa parte da massa trabalhadora.
 
Entrementes, muitos dentro da Alemanha, em particular setores da direita emergente, acusavam o governo de, na sua visão, aceitar os termos humilhantes impostos ao país pelas forças triunfantes no Tratado de Versalhes, particularmente as exigências por reparações de guerra e cessão de territórios, justificados por uma cláusula do tratado que depositava sobre os ombros da Alemanha a culpa exclusiva pelo início da conflagração.
 
Acossado pelos furiosos ataques dos militaristas de direita e pelas críticas radicais dos comunistas e identificado por ambos os lados como responsável pela vergonha de ter aceitado os termos do Tratado de Versalhes, o governo de Weimar e sua constituição – promulgada em 11 de agosto de 1919 – pareciam ter apenas uma tênue esperança de sobrevivência.

Nesta atmosfera de confrontação e amplo descontentamento, exacerbada pelas precárias condições econômicas, elementos da extrema-direita começaram a assumir uma postura cada vez mais dominante no seio do Reichstag. Este processo, intensificada pela Grande Depressão de 1929, culminaria com a ascensão ao poder de Adolf Hitler, que explorou as debilidades do sistema de Weimar para fincar os alicerces do seu Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, o Partido Nazista, assumir o poder em 1933, com apoio das forças conservadoras e parte da social-democracia, e logo depois dissolver o sistema parlamentar e impor, com base em seu ideário, um controle absoluto sobre a Alemanha.  

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Outras Notícias

PUBLICIDADE
X

Assine e receba as últimas notícias

Destaques

Publicidade

Democracia

Democracia

A construção e a defesa da democracia envolve muitas áreas: feminismo, educação, história. Conheça alguns títulos da Alameda Casa Editorial sobre o tema.

Leia Mais

O melhor da imprensa independente

PUBLICIDADE

A revista virtual
desnorteada

Mais Lidas

Últimas notícias