Hoje na História: 1936 - Morre o poeta Joseph Rudyard Kipling

Nascido na Índia e considerado um dos maiores escritores da língua inglesa, Kipling foi Prêmio Nobel em 1907

Max Altman

Joseph Rudyard Kipling, contista e poeta, um dos grandes escritores da língua inglesa, Prêmio Nobel de Literatura em 1907, controverso por suas ideias imperialistas, morre em Londres em 18 de janeiro de 1936.

Nascido em Bombaim, Índia, em 1865, Kipling granjeou celebridade por meio de romances destinados à juventude: O Livro da Selva (1895) e Capitães Intrépidos (1897).

O autor se fez o poeta do imperialismo britânico e do “fardo do homem branco”. Seu mais célebre poema é publicado em fevereiro de 1899 na McLure's Magazine, em um momento crítico, quando a expansão colonial tocava os seus limites:

Assuma o fardo ó, homem branco
Das selvagens guerras da paz.
Alimente a boca da fome
E faça com que cesse a miséria


Este poema traduz a mentalidade progressista do fim do século 19. Ela não é desprovida de generosidade e o poema poderia perfeitamente ser adotado hoje em dia pelos militantes do Terceiro Mundo, médicos-sem-fronteiras, organizações não governamentais , entre outros. Não haveria nem sequer a necessidade de substituir a palavra ‘branco’ por ‘rico’ ou ‘desenvolvido’ que são, neste começo do século 21, equivalentes.

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Poeta agnóstico, Kipling é representativo de uma época em que se afasta de Deus e se deposita as esperanças no progresso científico e no retorno à natureza. É assim que exalta o super-homem em seu famoso poema If (Se, 1910), que se encerra com o verso: “tu serás um Homem, meu filho!”. Esta filosofia orgulhosa encontra um trágico fim na Grande Guerra (1914-1918).

Aos 6 anos foi enviado à Inglaterra, onde estudou no United Services College de Westward Ho, em Devonshire. De volta à India em 1882, dedica-se ao jornalismo na qualidade de sub-editor do The Lahore Civil and Military Gazette e, depois, entre 1887 e 1889, do The Pioneer.

Aos 21 anos publicou seu primeiro livro, Cantigas Departamentais (1866), coletânea de versos de circunstâncias, e aos 22, o primeiro volume de narrativas, Contos Simples das Colinas (1887), ao que se seguiram em 1888-89, outros 6: Três Soldados, Sob os Cedros Deodaras, O Riquixá Fantasma, A História dos Gatsby, Em Branco e Preto e O Pequeno Guilherme Winkie.

Em tais contos, ambientados na vida do país segundo o entendimento de um inglês, escritos em linguagem direta e vigorosa que recorda o jargão militar, revelou um agudo espírito de observação, capacidade inventiva e especial habilidade na descrição de tipos característicos. O estilo rápido e despojado, o tom rude e amiúde cínico e o cru realismo oferecem um sabor de experiência vivida, com matizes de historietas contadas sob as tendas de um acampamento de soldados no curso de longas vigílias noturnas. 

Após uma longa viagem por Japão e Estados Unidos, que relatou em dois volumes em De Mar a Mar (1889), escreveu outra série de narrativas indianas para a The Macmillan's Magazine, reunidas mais tarde em Peripécias da Vida (1891). Na Inglaterra publicou também uma coleção de baladas, Canções de Quartel (1892), que, junto com os poemas de Sete Mares (1896) e de As Cinco Nações (1903), fez de Kipling o poeta do triunfante imperialismo britânico da era vitoriana.

Lançou, sem maior sucesso, o romance A Luz que se Apaga (1891), e se casa em 1892 com Caroline Balestier, de Nova York,  estabelecendo-se com ela em Battleboro, Vermont, onde passou 4 anos escrevendo várias obras. Tais textos revelam a influência, em especial, de Jack London, voltados para a exaltação da vida primitiva e do retorno à mãe-natureza:  Invenções Várias (1893), O Livro da Selva (1894), O Segundo Livro da Selva (1895) e Capitães Intrépidos (1897).

Nessas obras descreve um mítico mundo animal, regulado pelas férreas leis da força, em que Mogli, o menino-lobo, é acolhido fraternalmente e encontra os rastros de uma afinidade e simpatia atávicas. Tratava-se das primeiras obras de sucesso voltados para o público juvenil. Seguiram-se As Histórias Assim Mesmo e Histórias para Crianças (1902), além de delicadas lendas, cheias de “humor” e lirismo sutil, reunidas em Gunga Din (1906) e Recompensas e Fadas (1910).

Regressa à Inglaterra em 1896, fixando-se definitivamente em uma localidade de Surrey onde permaneceu até sua morte. Em 1907 conquistou o Prêmio Nobel de Literatura e, em 1926, a Medalha de Ouro da Royal Society of Literature.

Seus últimos trabalhos são coleções de relatos e textos diversos escritos por ocasião da Primeira Guerra Mundial. Os mais importantes são Débito e Crédito (1926) e Limite e Renovações (1932).

A obra-prima de Kipling é Kim (1901), em que através do fio condutor das aventuras de um rapaz apresenta um quadro clássico dos aspectos mais pitorescos da Índia.

A produção poética perdeu interesse devido ao seu caráter excessivamente declamatório e circunstancial. Os textos narrativos, em contrapartida, apresentam, como diz Henry James, “a magia irresistível de sois tórridos, de impérios submetidos, de religiões selvagens e de guarnições militares inquietas”.

Também nesta data:
1701 - Nasce o Reinado da Prússia no seio do Sacro Império Romano Germânico
1871 – Proclamação do Império Alemão na Galeria dos Espelhos em Versalhes
1936 – Morre o indiano Rudyard Kipling, o poeta do imperialismo

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