Quinta-feira, 8 de outubro de 2026
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O Comitê de Inteligência da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos divulgou nesta quinta-feira (26/09) a denúncia feita por um agente que motivou a abertura de um processo de impeachment contra o presidente Donald Trump. Além disso, o agente anônimo diz que o governo norte-americano tentou ocultar o conteúdo de uma conversa telefônica entre Trump e Zelensky realizada em 25 de julho.

O documento de nove páginas mostra que a fonte anônima, uma espécie de delator que não tem envolvimento com os supostos crimes, acusa o mandatário dos EUA de usar o “poder do cargo” para pedir ajuda do presidente da Ucrânia, Vladymyr Zelensky, contra um adversário político, o pré-candidato democrata à presidência Joe Biden.

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“Estou profundamente preocupado com aquilo que parece ser um sério e flagrante abuso de poder e uma violação da lei por parte do presidente”, diz a denúncia, que foi apresentada em agosto passado, mas acabou ignorada pelos superiores do delator.

Segundo ele, advogados da Casa Branca pediram para funcionários removerem a transcrição eletrônica do sistema informático no qual essas conversas costumam ser armazenadas. A fonte anônima alega que a transcrição foi carregada em um sistema separado e usado para guardar informações confidenciais, embora a conversa não contivesse assuntos de segurança nacional.

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“Recebi informações de diversos funcionários do governo de que o presidente está usando seu poder para solicitar interferências de um país estrangeiro nas eleições de 2020. Isso inclui a pressão sobre um país estrangeiro para investigar um dos maiores rivais políticos do presidente”, acrescenta o agente.

Em 25 de julho, segundo transcrição divulgada pela Casa Branca, Trump pediu para Zelensky conversar com o procurador-geral dos EUA, William Barr, e o advogado pessoal do presidente, Rudy Giuliani, sobre um caso envolvendo Biden, favorito para disputar as eleições de 2020 pelo Partido Democrata.

Fonte acusa presidente dos EUA de usar 'poder do cargo' para pedir ajuda do presidente da Ucrânia contra o pré-candidato democrata à presidência Joe Biden

White House/Flickr

Fonte acusa presidente dos EUA de usar ‘poder do cargo’ para pedir ajuda do presidente da Ucrânia contra Joe Biden

Em 2016, Biden, então vice-presidente dos Estados Unidos, fez pressão para a Ucrânia demitir o procurador-geral Viktor Shokin, tido como corrupto pelo governo Obama e pela União Europeia. Shokin, no entanto, também investigava uma empresa ucraniana de gás que tinha o filho de Biden, Hunter, como conselheiro.

Antes do telefonema com Zelensky, Trump congelou uma ajuda financeira de US$ 391 milhões à Ucrânia, levantando a suspeita de que ele estaria tentando pressionar Kiev a investigar os Biden para prejudicar o democrata na corrida eleitoral.

Obstrução

Segundo a fonte anônima, nos dias seguintes à conversa entre Trump e Zelensky, alguns funcionários da Casa Branca intervieram para colocar em segurança “as informações relativas à chamada, sobretudo a transcrição literal”.

“Essas ações, no meu modo de ver, evidenciam que os funcionários da Casa Branca haviam entendido a gravidade da conversa”, afirma o denunciante. O agente, contudo, ressalta que “não assistiu diretamente a muitos dos eventos descritos”.

“De qualquer modo, achei que o relato de meus colegas eram verossímeis porque, em diversos casos, outros funcionários haviam feito reconstruções parecidas”, acrescenta. A Casa Branca afirmou que a denúncia se baseia em informações de “terceira mão”.

O caso motivou a abertura de um processo de impeachment contra Trump na Câmara dos Representantes, que é controlada pelo Partido Democrata. As investigações devem ser concluídas ainda neste ano, e o parecer será submetido ao plenário, onde precisará de maioria simples para ser aprovado.

Em seguida, a eventual denúncia seguirá para o Senado, de maioria republicana e a quem cabe julgar o presidente. Para Trump ser condenado, serão necessários dois terços dos senadores.

*Com ANSA

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