“Estou até rouco de tanto fazer reuniões”. Esse comentário feito por um empresário brasileiro nos corredores de um dos hotéis de luxo de Pequim resume bem o balanço dessa visita oficial da delegação do Brasil na capital chinesa.
Mas como de costume nesse tipo de viagem, apesar da programação oficial, que em Pequim contou com um evento sobre o desenvolvimento sustentável na segunda-feira (27/03) e o seminário econômico Brasil-China nesta quarta-feira, tudo se decide realmente nas reuniões a portas fechadas, longe das câmeras. E o resultado desses encontros é uma lista de cerca de 20 acordos e parcerias em várias áreas. Um saldo que confirma o interesse dos chineses, que já são os principais parceiros comerciais do Brasil.
Diversos setores contemplados
Apenas a gigante da mineração Vale revelou sete acordos no final desta viagem, em áreas comerciais, mas também de pesquisa e de cooperação financeira. Entre eles, a empresa brasileira anunciou uma aproximação com a chinesa XCMG para desenvolvimento da primeira motoniveladora com “zero emissões de CO₂” do mundo, que permitirá, se bem-sucedido, a migração da frota de motoniveladoras da Vale nos próximos anos.
Já a Vale Indonésia assinou um acordo de investimento em projeto com a Tisco (grupo Baowu) e a Xinhai para a construção de uma planta de processamento de níquel RKEF. Um acordo de cooperação também será assinado entre a mineradora e a Baoshan Iron & Steel (empresa do grupo Baowu) para a produção de biocarvão e suas aplicações, visando soluções de descarbonização na indústria siderúrgica.
Todos esses projetos atestam a vontade de integrar a questão do desenvolvimento sustentável nas relações entre Brasil e China, um aspecto martelado pelos membros da delegação durante essa viagem. Confirmam essa tendência a parceria entre a Sinomec e a Sete Partners na área de energia renovável, ou ainda o memorando, também sobre energias renováveis, firmado entre a Motrice Soluções em Energia e a China Gansu International (CGICO), assim como os dois acordos anunciados pela brasileira BMV global com as chinesas HRH (Chongqing) e HRH Pharmaceutical.
Mas contratos mais tradicionais também foram anunciados. A empresa de celulose Suzano anunciou a assinatura de três acordos com parceiras chinesas. Os projetos visam a construção de 17 navios de transporte de celulose e produtos de base biológica com a COSCO, uma colaboração com a China Paper Company e o lançamento do Innovability Hub, na Cidade da Ciência de Zhangjiang, em Xangai.
A Odebrecht, a Power China e a Sete Partners se unem em projetos de infraestrutura no Brasil que não foram detalhados, assim como a Comexport, que se associa à Furui para a venda de produtos e soluções da empresa no mercado brasileiro. Já a Sete Partners e a Tianjing Food Group se unem para a criação de uma empresa binacional, visando ampliar investimentos na cadeia agrícola brasileira.
Sistema bancário
A Vale também assinou dois acordos com instituições bancárias chinesas. O Industrial and Commercial Bank of China (ICBC) e o Bank of China, vão cooperar com a empresa brasileira em linhas de crédito para mineração, também com ênfase na energia verde.
Ainda no setor financeiro, o Banco BOCOM BBM anuncia sua adesão ao CIPS (China Interbank Payment System), uma alternativa chinesa ao sistema Swift, visando reduzir os custos de transações comerciais com o câmbio direto entre real e yuan. O BOCOM BBM se torna assim o primeiro participante direto desse sistema na América do Sul. Além disso, a sucursal brasileira do Industrial and Commercial Bank of China passa a atuar como banco de compensação de yuan no Brasil, com o objetivo de facilitar a promoção do comércio bilateral e os investimentos em moeda chinesa.

