Quinta-feira, 6 de agosto de 2026
APOIE
Menu

Os argentinos enfrentam neste domingo (22/10) eleições decisivas para o futuro do país, que vive uma crise tão ou mais grave do que o colapso de 2001. Cerca de 35 milhões de eleitores renovam os mandatos de presidente e vice, metade da Câmara de Deputados e um terço do Senado – oito das 24 províncias elegem senadores. A disputa está embolada entre os três principais candidatos à Casa Rosada.

Os eleitores vão decidir se querem continuar com o peronismo de Sergio Massa, atual ministro da Economia, aliado de Cristina Kirchner e de Lula; se preferem as reformas prometidas por Patricia Bullrich, ex-ministra da Segurança apoiada por Mauricio Macri; ou se querem uma mudança radical, levando à Casa Rosada o economista anarcocapitalista Javier Milei, representante da extrema direita que recebeu apoio da família de Jair Bolsonaro.

Tudo que a grande mídia não mostra, do seu jeito.

Ícone Newsletter

Newsletter

Notícias internacionais, com análise crítica e independente. Sem filtros.
Ícone WhatsApp

Canal do WhatsApp

O mundo em movimento direto no seu celular. Siga!
Ícone YouTube

OM no YouTube

Opinião, contexto e coragem jornalística. Tudo no nosso canal. Sintonize!

Na véspera da votação, os argentinos deixaram vazias as prateleiras dos supermercados. As lojas de eletrodomésticos estão abarrotadas de produtos. Passagens aéreas e pacotes turísticos para as férias de verão, principalmente para o Rio de Janeiro, estão quase esgotados. Um estrangeiro desavisado poderia pensar que se trata de um “boom” de prosperidade. Mas o que os consumidores fazem é se livrar de suas economias em pesos.

A população se antecipa à desvalorização da moeda e ao consequente aumento de preços que acreditam possa acontecer na segunda-feira (23/10), após as eleições, especialmente se Javier Milei ganhar ou largar com ampla vantagem para o segundo turno, marcado para 19 de novembro.

Mais lidas

Os três candidatos com mais chances dividem três terços do eleitorado, com ligeira vantagem para o ultraliberal Milei, seguido pelo governista Massa, quase empatado com a candidata da centro-direita, Patricia Bullrich. Se as urnas confirmarem uma escassa margem de diferença, o resultado apertado pode gerar contestação. Milei já levantou a hipótese de fraude e pode questionar a apuração, caso fique a poucos passos de vencer no primeiro turno ou não fique em primeiro lugar por curta margem de votos.

Na Argentina, ganha-se no primeiro turno com 45% dos votos ou mesmo com 40%, desde que haja uma diferença de, pelo menos, dez pontos em relação ao segundo colocado.

Três candidatos com mais chances dividem três terços do eleitorado, com ligeira vantagem para o ultraliberal Milei, seguido pelo governista Massa, quase empatado com a candidata da centro-direita, Patricia Bullrich

Pexels

População se antecipa à desvalorização da moeda e ao consequente aumento de preços que acreditam possa acontecer após primeiro turno

Aliança libertária bolsonarista

No fim de semana, Milei recebeu a visita de três deputados brasileiros bolsonaristas, incluindo Eduardo Bolsonaro, que vai acompanhar a apuração ao lado do aliado argentino, favorito na disputa. Antes, o filho “03” do ex-presidente brasileiro irá acompanhar o deputado Nahuel Sotelo, aliado de Milei, a votar. Foi Sotelo que convidou Bolsonaro a visitar a Argentina.

“As semelhanças entre Jair Bolsonaro e Javier Milei acontecem não só entre os dois políticos, mas também entre os eleitores. Os dois são carismáticos e traduzem politicamente setores do eleitorado que se sentem marginalizados, não ouvidos, nas profundezas do Brasil e da Argentina. Os eleitores dos dois também têm cortes transversais em idades e em territórios dos eleitores”, disse à RFI o analista político Gustavo Marangoni.

Ponto nevrálgico da disputa

Quatro províncias argentinas elegem governadores, incluindo a capital do país e a província de Buenos Aires, o maior colégio eleitoral do país, com 39% dos votos. A eleição será definida nessa região, onde também acontece a disputa mais acirrada entre as três forças que disputam o Congresso e a Casa Rosada.

A vice-presidente Cristina Kirchner, que adotou um silêncio estratégico para não prejudicar o aliado Sergio Massa nesta campanha, tem dois objetivos para manter vivo o chamado ‘kirchnerismo’, a ala mais radical do Peronismo e aliada do presidente Lula.

Condenada a seis anos de prisão por corrupção e enfraquecida politicamente, Kirchner pretende que Massa obtenha, pelo menos, 30% dos votos. Isso levaria boa parte da sua tropa ao Congresso, onde, mesmo sem maioria, poderia exercer influência ou mesmo bloquear boa parte das iniciativas do novo governo. É na província de Buenos Aires que o ‘kirchnerismo’ pretende se refugiar à espera do fracasso do novo governo, especialmente se for o de Javier Milei.

“O que está em jogo nestas eleições é se queremos que o ‘kirchnerismo’ fique na província de Buenos Aires, se queremos que a província seja o território onde o ‘kirchnerismo’ vai se esconder. Não queremos que haja esse reduto. Pelo contrário: queremos terminar com todas as medidas populistas que levaram a Argentina ao nível de pobreza atual (40% da população), com praticamente seis de cada dez crianças argentinas sem poder comer nem se vestir dignamente”, aponta à RFI Marcela Pagano. Ela lidera a lista de candidatos de deputados na província de Buenos Aires pelo partido A Liberdade Avança (“La Libertad Avanza”), de Milei. Segundo dados oficiais, entre crianças e adolescentes de até 14 anos de idade, a pobreza atinge 56,2% dos menores.

A votação se estenderá até as 18 horas pelo horário de Brasília. Os primeiros resultados só podem ser divulgados a partir de 21 horas. Acredita-se que a tendência definitiva só ficará clara a partir de 22h30.