Segunda-feira, 7 de setembro de 2026
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A presidente do Congresso boliviano, Eva Copa, promulgou uma lei que determina a convocação de eleições gerais no país dentro de 90 dias – ou seja, até agosto. A decisão, aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado, contraria a determinação da autoproclamada presidente Jeanine Áñez, que havia vetado a medida.

As eleições presidenciais na Bolívia estavam previstas para o dia 3 de maio, mas foram suspensas pelo TSE (Tribunal Superior Boliviano) em março, após Áñez declarar quarentena no país devido à situação de emergência do coronavírus.

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A medida, aprovada inicialmente na quinta-feira (30/04) pelo Senado boliviano, determina que as eleições sejam realizadas até o início de agosto e nasceu de um projeto de lei apresentado pelo partido de oposição MAS (Movimiento al Socialismo), ligado a Evo Morales, que tem maioria no Legislativo.

O TSE, considerando a emergência de saúde, havia apresentado uma proposta que esticava o prazo das eleições até 27 de setembro.

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Segundo a última pesquisa publicada antes do confinamento, o candidato do MAS, Luís Arce, aparece com 33% das intenções de voto, seguido pelo ex-presidente Carlos Mesa, com 18,3%, e por Áñez, com 16,9%.

Após a promulgação da lei, a presidente interina publicou um vídeo nas redes sociais em que acusa o MAS de cometer um “atentado gravíssimo à saúde e à vida dos bolivianos”. Jeanine Áñez afirmou que a decisão foi tomada por um Congresso que Morales e Arce “controlam e manipulam conforme sua vontade”.

Eleições estavam previstas para 3 de maio, mas foram suspensas pelo TSE em março, após presidente autoproclamada declarar quarentena no país devido ao novo coronavírus

ABI

Ao contrário do que Áñez desejava, Congresso da Bolívia convocou eleições para daqui a 90 dias

MAS: eleições não atentam contra a vida

No entanto, em nota divulgada em suas redes sociais, o MAS disse que a realização do pleito, “de nenhuma maneira, atenta contra a vida e a saúde”.

“É imperativo que a Bolívia conte com um governo democrático que emerja do voto do povo, que goze de legalidade e legitimidade para enfrentar os problemas de saúde, sociais e econômicos”, afirma o texto.

O partido acusou Áñez de ter feito uma gestão “tardia, ineficiente, discriminatória, improvisada e pouco transparente” em relação à covid-19, e disse que a intenção da presidente é se perpetuar no poder.

“O governo golpista desnudou sua verdadeira intenção, seu único interesse é o prorroguismo para perpetuar-se no poder, e o saque dos recursos naturais e das empresas estratégicas do país. Não interessa a eles a vida, a economia, a fome do povo boliviano. Não têm a mínima intenção de convocar eleições”, afirma o MAS.

Áñez se autoproclamou presidente da Bolívia após o golpe de Estado que derrubou Morales, que havia sido reeleito em outubro de 2019 para um novo mandato. A oposição disse que a contagem dos votos havia sido fraudada, o que se mostrou, posteriormente, ser inverídico.

Leia a íntegra da nota do MAS, em espanhol:

(*) Com RFI

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