Durante audiência do Parlamento de Portugal, na última sexta-feira (13/01), o deputado André Ventura, presidente do Chega, partido de extrema-direita português, chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de “bandido” e foi repreendido pelo deputado Augusto Santos Silva, que preside a casa.
“Essa é uma expressão ofensiva, em relação a um presidente de uma nação muito amiga de Portugal. Portanto, ao brilho do regimento, sou obrigado a pedir que não use essa expressão se referindo ao presidente do Brasil”.
Em seguida, Ventura tentou insistir no desrespeito, que pode, inclusive, gerar um incidente diplomático entre os dois países. “É difícil dirigir-nos ao presidente do Brasil de outra forma”, afirmou o líder da extrema-direita portuguesa, que foi vaiado e recebeu gritos de alerta dos demais parlamentares.
Deputado português chama Lula de “bandido” e é repreendido por líder do Parlamento
André Ventura é presidente do Chega, partido de extrema direita. Ao chamar Lula de “bandido”, ele foi vaiado e recebeu gritos de alerta dos demais parlamentares.
Leia: https://t.co/o2a8OM6ncC pic.twitter.com/e19IGz8abn
— Brasil de Fato (@brasildefato) January 14, 2023
Ventura é próximo do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que abandonou o país em 30 de dezembro do ano passado.
Reprodução YouTube
André Ventura, líder da extrema direita portuguesa, foi rechaçado pelo Parlamento português após apoiar atos golpistas
A ofensa a Lula surgiu quando Ventura manifestava seu apoio aos atos golpistas do último domingo (08/01), no Brasil. “Nós compreendemos perfeitamente a fúria e a angústia de milhões de brasileiros ao verem seu país governado, e eu peço desculpas às autoridades brasileiras acreditadas em Portugal, por um bandido”.
Vice-líder do Parlamento português, o deputado Pedro Delgado Alves, do Partido Socialista criticou Ventura. “Não há como dizer que compreende as razões de quem sobe a rampa do Palácio do Planalto para invadir as instituições brasileiras, ignorando o Estado de Direito, o resultado das eleições e a forma como em democracia se resolvem diferenças e dilemas”.
A deputada Joana Mortagua, do Bloco de Esquerda, foi ainda mais dura com Ventura. “A razão é apenas uma, não reconhecer o resultado do pleito eleitoral, não reconhecer que Jair Bolsonaro perdeu e Lula da Silva é o presidente democrático eleito do Brasil. Sabemos bem que a extrema-direita ganha nas urnas ou apela para a violência. Sabemos bem que o discurso ao ódio de Bolsonaro foi apoiado pela extrema-direita de Portugal”.