Quinta-feira, 5 de março de 2026
APOIE
Menu

Uma multidão saiu às ruas de Milão, no norte da Itália, neste sábado (02/03), em passeata contra políticas do governo do país, consideradas excludentes e racistas. Segundo autoridades, cerca de 200 mil pessoas participaram do ato contra a extrema direita.

A marcha, que reuniu italianos de todas as idades, percorreu alguns pontos da cidade, antes de aglomerar os manifestantes na praça central em frente à famosa Catedral de Milão.

Tudo que a grande mídia não mostra, do seu jeito.

Ícone Newsletter

Newsletter

Notícias internacionais, com análise crítica e independente. Sem filtros.
Ícone WhatsApp

Canal do WhatsApp

O mundo em movimento direto no seu celular. Informação pronta para compartilhar
Ícone YouTube

OM no YouTube

Opinião, contexto e coragem jornalística. Tudo no nosso canal. Sintonize em Opera Mundi

Apesar de político, o protesto foi bastante festivo, embalado por música e com pessoas tocando bongô e trompetes. Uma das canções entoadas foi Bella ciao, que se tornou símbolo da resistência italiana contra o fascismo durante a Segunda Guerra Mundial.

Os manifestantes carregavam ainda uma variedade de bandeiras, como a da Itália, a da União Europeia e a do movimento LGBT, além de centenas de emblemas de organizações da sociedade civil.

Mais lidas

O ato teve como lema “Prima le persone” (as pessoas primeiro), em referência ao slogan “Prima gli Italiani” (primeiro os italianos), usado pelo ministro do Interior da Itália, o populista de direita e anti-imigração Matteo Salvini.

A manifestação, cujo manifesto dizia condenar “a política de medo e a cultura da discriminação”, foi convocada por grupos e organizações sociais descontentes com a política adotada pelo governo federal sobre a acolhida de imigrantes.

“Inclusão, igualdade de oportunidades e uma democracia real para um país sem discriminação, sem muros e sem barreiras”, pediam os organizadores no manifesto.

O prefeito de Milão, Giuseppe Sala, descreveu a manifestação como “um testemunho político poderoso de que a Itália não é somente o país como se tem descrito atualmente”.

“É um momento de grande mudança para o país, e esta é a nossa visão de Itália”, acrescentou Sala, que participou do ato na capital financeira da Itália.

“Somos a Itália que diz 'basta'”, escreveu, por sua vez, o assessor da cidade para políticas sociais, Pierfrancesco Majorino, no Twitter. Foi ele quem informou a estimativa de 200 mil participantes na “marcha alegre, festiva e pacífica, de todas as cores”.

Também estiveram presentes outras figuras políticas, como Nicola Zingaretti, chefe da região do Lácio, no centro da Itália, onde Roma está localizada. Um dos fundadores do Partido Democrata, Zingaretti lamentou que o atual governo federal “traga tanto ódio, rancor e divisão”.

Por sua vez, Maurizio Landini, chefe da Confederação Geral Italiana do Trabalho (CGIL) – o maior sindicato do país, com mais de 5,5 milhões de inscritos – acusou a coalizão de governo populista de direita em Roma de “promover políticas erradas e não combater as desigualdades”.

O partido de Salvini, a ultradireitista Liga, passou a integrar o governo italiano ao lado do populista Movimento Cinco Estrelas em 2018. Com a aliança, Salvini, um linha-dura com imigrantes, ganhou o cargo de ministro do Interior, bem como um dos postos de vice-primeiro-ministro da Itália.

Desde então, o país tem repetidamente se recusado a aceitar que navios de ajuda humanitária que resgatam migrantes no Mar Mediterrâneo atraquem em seus portos.

Manifestantes vão às ruas de Milão, acusando políticas anti-imigração do governo italiano de excludentes e racistas

picture-alliance/AP Photo/L. Bruno

Manifestantes reunidos em frente à icônica Catedral de Milão