Quinta-feira, 8 de outubro de 2026
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O ministro das Relações Exteriores do Irã, Javad Zarif, disse nesta segunda-feira (06/01) que o fim da presença norte-americana no Oriente Médio começou. As declarações do chanceler vêm em meio a uma escalada de tensão entre Teerã e Washington após um bombardeio sobre o aeroporto de Bagdá, no Iraque, ordenado por Donald Trump na última quinta-feira (02/01) matar o general da Guarda Revolucionária do Irã Qassim Soleimani.

“Você ainda imagina que pode quebrar a vontade desta grande nação e seu povo? O fim da presença maligna dos EUA na Oriente Médio já começou”, disse o chanceler pelo Twitter, onde também compartilhou fotos de grandes passeatas realizadas no país em memória de Soleimani.

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“Você já viu um mar de gente na sua vida, Donald Trump? Você ainda quer ouvir os palhaços que te aconselham sobre nossa região?”, questionou Zarif. 


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Mais cedo, Trump afirmou pelo Twitter que o Irã “nunca terá uma arma nuclear” no país. A fala do mandatário norte-americano faz referência à declaração do governo iraniano deste domingo (05/01) sobre a saída completa do país do acordo nuclear. 

Ainda nesta segunda-feira, o presidente dos EUA voltou a fazer declarações sobre os “52 alvos” que Washington supostamente têm localizados no Irã e que, segundo Trump, são “muito importantes para o Irã e a cultura iraniana”.

O mandatário norte-americano já havia afirmado no domingo que, em caso de um ataque iraniano contra os EUA, o país islâmico seria “atacado como nunca foi antes”. 

“Os Estados Unidos gastaram apenas dois trilhões de dólares com equipamentos militares. Nós somos os maiores e de longe os melhores no mundo! Se o Irã atacar alguma base norte-americana, ou algum norte-americano, nós iremos enviar alguns dos novos e lindos equipamentos no caminho deles… e sem hesitação!”, disse.

'Você ainda imagina que pode quebrar a vontade desta grande nação e seu povo?', disse o chanceler

Vahid Ahmadi/Tasnim

Manifestantes queimam bandeiras de Israel e Estados Unidos após morte de Qassem Soleimani

O presidente do Irã, Hassan Rouhani, respondeu ao ataque de Trump dizendo que “aqueles que se referem ao número 52 deveria também se lembrar do número 290. Nunca ameace a nação iraniana”. 

A declaração de Rouhani faz referência ao ataque norte-americano a um avião civil iraniano em julho de 1988, que matou 290 pessoas, todos que estavam a bordo.

Reino Unido

Nesta segunda-feira, o porta-voz do primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, disse que o governo britânico não irá apoiar os Estados Unidos em um possível ataque contra o Irã. 

“Você pode consultar as convenções internacionais. Está no documento da Convenção de Haia de 1954 a proteção a bens culturais durante conflitos armados”, disse o representante. 

Segundo o jornal The Guardian, o britânico afirmou que ambos os países tem uma “parceria próxima” e se mantêm em diálogo. 

Acordo Nuclear

No domingo (05/01), o governo iraniano anunciou a saída do país do acordo nuclear declarando que não obedecerá nenhuma restrição “em áreas operacionais”. 

“O programa nuclear do Irã não aceita nenhuma restrição nessas áreas e irá continuar a se desenvolver de acordo com as necessidades técnicas do país”, anunciou Teerã. Segundo a agência do país IRNA, governo iraniano “está pronto a retornar aos compromissos do acordo nuclear uma vez que as sanções sejam removidas e que o país se beneficie do pacto”.

No acordo nuclear, firmado em 2015, o Irã havia se comprometido a não enriquecer urânio acima de 3,67%, número insuficiente para construir bombas atômicas, mas útil para produção de energia. Além disso, o país havia aceitado reduzir o seu estoque atual de cerca de dez toneladas de urânio com baixo enriquecimento para 300 quilos.

Ainda nesta segunda, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia emitiu um comunicado dizendo que os parceiros do acordo devem “manter” o pacto nuclear como “prioridade”. “Manter os acordos e garantir sua implementação deve permanecer como uma prioridade para os parceiros”, disse Moscou. 

Neste sábado (11/01) está prevista uma reunião entre o presidente russo Vladimir Putin e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, em Moscou, capital da Rússia, para discutir a escalada de tensão entre os Estados Unidos e o Irã. 

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