Quarta-feira, 7 de outubro de 2026
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O Parlamento de Israel deve aprovar nesta quarta-feira (22/06) o processo que colocará fim ao atual governo do país, levando à convocação de mais uma rodada de eleições, a quinta em menos de quatro anos.

A iniciativa foi do próprio primeiro-ministro, Naftali Bennett, que pegou os israelenses de surpresa ao anunciar, na segunda-feira (20/06), que decidiu dissolver a coalizão de governo que lidera desde junho de 2021.

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A coalizão deve ser oficialmente desmantelada na próxima segunda-feira (27/06), e as novas eleições devem acontecer no começo de novembro, embora a data ainda não tenha sido marcada.

De acordo com as primeiras pesquisas de opinião, Benjamin Netanyahu, do partido de direita Likud, receberá o maior número de cadeiras: cerca de 35 das 120 do Parlamento, o Knesset. Em segundo lugar ficará o atual chanceler Yair Lapid, do partido progressista de centro “Há Futuro”, com cerca de 20.

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Ambos, no entanto, terão dificuldades para formar uma coalizão com 61 cadeiras. Esse impasse já dura 3 anos e meio, com blocos pró e anti-Netanyahu se digladiando sem conseguir criar governos estáveis.

A disputa parecia ter terminado no ano passado, quando Bennett e Lapid conseguiram costurar o mais diversificado governo da história de Israel, com oito partidos distintos: dois de esquerda, dois de centro, três de direita e um partido da minoria árabe.

Diferenças ideológicas

Mas, apesar da coesão dos primeiros meses, as diferenças ideológicas apareceram. A coalizão foi perdendo membros rebeldes e a maioria parlamentar, levando Bennett a colocar um fim nela.

O que levou à decisão justamente agora é a questão da Lei da Cisjordânia, uma legislação supostamente “temporária” que existe há 55 anos e que tem sido ratificada pelo Parlamento automaticamente a cada 5 anos.

A lei deveria ser novamente ratificada até o fim deste mês para não prescrever, mas Benjamin Netanyahu, percebendo a fragilidade do governo Bennett, conseguiu impedir a aprovação prometendo cargos aos parlamentares rebeldes do governo.

A lei trata do arcabouço jurídico vigente nos assentamentos israelenses na Cisjordânia, território ocupado por Israel em 1967. Ela estabelece que, neles, o que vale é a lei do Estado de Israel – mesmo que o país nunca tenha oficialmente anexado a Cisjordânia.

Sem essa legislação, os meio milhão de israelenses que moram na Cisjordânia deixariam de estar sob a lei de Israel, o que causaria um caos jurídico sem precedentes.

Parlamento do país deve aprovar nesta quarta-feira (22/06) um processo que dará fim ao atual governo, dando início a quinta rodada de eleições em quatro anos

Wikimedia Commons

De acordo com as primeiras pesquisas de opinião, Benjamin Netanyahu, do partido de direita Likud, receberá o maior número de cadeiras

A única maneira de evitar isso – sem ratificar a lei no Parlamento – é convocar agora novas eleições, o que automaticamente congela todas as legislações vigentes. Quer dizer: Bennett abdicou para manter em vigor uma legislação fundamental para sua base política, a do partido de extrema-direita “Yemina” (À Direita, em hebraico), que apoia os assentamentos.

O mais irônico é que Netanyahu também é de um partido de direita, o Likud. Ele aproveitou a fragilidade do governo e colocou em risco uma legislação que ele mesmo apoia para derrubar Bennett.

A jogada deu certo: assim que as eleições foram convocadas, Bennett deixará o cargo de primeiro-ministro. Quem assumirá interinamente até que uma próxima coalizão assuma será Yair Lapid, o atual ministro das Relações Exteriores e premiê alternativo do partido de centro “Há Futuro”.

A atual coalizão tem dois “pais”: Bennett e Lapid. A ideia era a de que Bennett atuasse como primeiro-ministro pelos dois primeiros anos e Lapid, pelos últimos dois. Ambos receberiam o título de “premiê alternativo” enquanto o outro estivesse na liderança.

Mas há também uma outra cláusula: a de que se o governo caísse por culpa de parlamentares de direita, quem assumiria o governo de transição seria Lapid, representante da ala mais à esquerda.

Como o mais recente desertor foi o parlamentar Nir Orbach, do partido do próprio Bennett, então é Lapid que assumirá governo, provavelmente por cerca de seis meses (quatro até a votação e mais dois para a formação do próximo governo).

Yair Lapid, 58 anos, é um ex-ator, apresentador e âncora de televisão que até uma década atrás, era mais conhecido por suas aparições na telinha e pose de playboy. Mas, em 2013, ele surpreendeu a todos ao largar a carreira e formar o “Há Futuro”, um partido de centro com viés secular, progressista e liberal.

Em apenas nove anos, se tornou uma figura importante na política nacional, servindo como ministro das Finanças, Líder da Oposição e atualmente como chanceler e premiê alternativo.

Lapid tem um certo pedigree político porque é filho do ex-jornalista e ex-ministro da Justiça Yossef “Tommy” Lapid, falecido em 2008, que deixou marcas na política nacional ao defender o fim da influência da religião no Estado.

Muitos, no entanto, ainda o veem como despreparado e pouco experiente. Talvez a anunciada visita do presidente americano Joe Biden a Israel, em 13 de julho, ajude Lapid a consolidar uma imagem de estadista.

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