Domingo, 6 de setembro de 2026
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Atualizada às 18h56

O presidente de Cuba, Raúl Castro, declarou nesta segunda-feira (21/03) em Havana que as medidas adotadas pelo governo dos EUA no processo de reaproximação entre os dois países “são positivas, mas insuficientes”. Raúl e o presidente norte-americano, Barack Obama, fizeram um pronunciamento conjunto neste primeiro dia de agenda oficial de Obama em sua visita à ilha, iniciada no domingo.

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“Muito mais poderia ser feito se o bloqueio dos EUA fosse revogado. Nós reconhecemos a posição do presidente Obama e seu governo contra o bloqueio, e seus seguidos apelos ao Congresso para removê-lo. As medidas mais razoáveis adotadas por seu governo são positivas, mas insuficientes”, disse o presidente cubano.

EFE

Raúl Castro disse esperar que se construa “um novo tipo de relacionamento” entre Cuba e Estados Unidos

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“Existem diferenças profundas entre nossos países que não irão deixar de existir, já que temos ideias diferentes em vários assuntos, como sistemas políticos, democracia, o exercício de direitos humanos, justiça social, relações internacionais e paz mundial e estabilidade”, declarou Raúl Castro, acrescentando que Cuba defende os direitos humanos, um ponto que é alvo de críticas de Washington, que afirma que Havana viola os direitos humanos. “Acreditamos que os direitos civis, políticos, econômicos e culturais são indivisíveis e interdependentes”, disse.

“Na verdade, achamos inconcebível que um governo não assegure os direitos à saúde, educação, seguridade social, alimentação, desenvolvimento, pagamento igualitário e direitos das crianças”, disse Raúl. “Somos contrários à manipulação política e a padrões duplos na abordagem de direitos civis”, afirmou o presidente cubano, que pediu a devolução a Cuba do “território ilegalmente ocupado” pela base militar norte-americana de Guantánamo.

Raúl Castro afirmou que espera “um novo tipo de relacionamento, um que nunca existiu antes” entre os dois países. “Destruir uma ponte pode ser de fácil e rápida execução. Sua sólida reconstrução pode ser um longo e difícil esforço”.

O presidente cubano encerrou seu discurso mencionando a nadadora norte-americana Diana Nyad, que em 2013 e aos 64 anos, após diversas tentativas, conseguiu se tornar a primeira pessoa a nadar de Cuba à Flórida, em um trajeto de cerca de 180 km, sem a ajuda de uma jaula para se proteger de tubarões. “Se ela conseguiu, nós também podemos conseguir”, afirmou Raúl.

Presidente cubano disse esperar 'novo tipo de relacionamento, um que nunca existiu antes' entre os dois países e voltou a pedir fim do bloqueio econômico

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No início do seu pronunciamento, Obama, que falou após o presidente cubano, alertou que faria um discurso longo. “Temos meio século de trabalhos para colocar em dia”, disse.

“Nosso crescente compromisso com Cuba é guiado por um objetivo abrangente: avançar nos interesses do nosso continente”, declarou Obama, afirmando que os Estados Unidos não têm interesse em ditar o futuro da ilha. “Cuba é soberana e, com razão, tem muito orgulho. O futuro de Cuba será decidido pelos cubanos e não por ninguém mais”.

EFE

Mais cedo, Raúl Castro recebeu Obama no Palácio da Revolução, sede do governo; presidentes fizeram discurso na tarde desta segunda

Obama agradeceu as considerações de Raúl Castro sobre o acesso a direitos básicos nos EUA. “Nós damos as boas-vindas ao diálogo construtivo, porque acreditamos que podemos aprender e tornar a vida dos nossos povos melhor”, disse. “Estou muito satisfeito que concordamos em realizar o nosso próximo diálogo entre Cuba e EUA sobre direitos humanos em Cuba”.

“No século 21 os países não podem ser bem-sucedidos a não ser que seus cidadãos tenham acesso à internet”, disse Obama ao pontuar que os EUA “desejam ajudar” a expandir a internet na ilha.

“Nós estamos seguindo em frente e não olhando para trás. Não vemos Cuba como uma ameaça aos EUA”, afirmou. “Estou absolutamente seguro de que, se continuarmos nesse caminho, podemos atingir um futuro melhor e mais brilhante para os povos cubano e norte-americano. Muchas gracias”, encerrou o presidente dos EUA.

O processo de reaproximação diplomática e econômica entre Havana e Washington já dura 15 meses e resultou na reabertura das embaixadas nos dois países em julho de 2015 e em uma série de acordos firmados, como o que restabeleceu voos comerciais e um serviço postal direto. A viagem de Obama a Cuba, a primeira de um presidente norte-americano em 88 anos, foi anunciada no mês passado.

Por se tratar de uma lei, o bloqueio econômico imposto pelos EUA a Cuba só pode ser alterado ou removido com a aprovação do Congresso norte-americano, cuja maioria republicana se opõe à medida.

Veja íntegra dos discursos e da entrevista coletiva:

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