Sábado, 21 de março de 2026
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Uma delegação de deputados brasileiros participa de reuniões parlamentares na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Apesar das sinalizações do governo Lula de que a adesão ao chamado “clube dos países ricos” não seria uma prioridade, para o presidente do grupo parlamentar de Amizade Brasil-OCDE, a agenda da organização está alinhada com a de Lula e ingresso do Brasil na organização será “caminho natural”.

O deputado Eduardo Bismarck (PDT-CE) faz parte da delegação brasileira que está na França para uma série de encontros entre parlamentares dos países-membros e em ascensão à OCDE, na terça-feira (04/04) e na quinta (06/04). Ele é presidente do Grupo Parlamentar de Amizade Brasil-OCDE.  

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Mais de 130 deputados de 36 países participam de debates sobre perspectivas econômicas mundiais, os impactos da guerra na Ucrânia, crise climática, igualdade de gênero e a luta contra a desinformação, na sede da organização, em Paris.  

O Brasil que recebeu o convite para ingressar na organização em 2022, participa de todos os comitês. Mas o ingresso do país como membro da organização nunca pareceu ser uma prioridade para o presidente Lula.

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Apesar disso, Bismarck acredita que o ingresso do Brasil no bloco é um processo natural e que no momento certo “isso será retomado”.  

“A visão que eu estou tendo da OCDE é diferente do que muitos pregam, de um liberalismo econômico extremo”, defende. “É muito mais uma agenda social e progressista que tenho visto aqui, de acordo com os debates, preocupada, por exemplo, com a agenda climática, com igualdade entre gêneros, que combina muito mais com a pauta do campo ideológico da esquerda”, diz.

Por isso, ele acredita que este é um “caminho natural do país”, ao voltar “para o eixo internacional, como pretende o presidente Lula”.

“A gente não pode é deixar que o Brasil venha para a OCDE com uma visão destoante”, diz. “Nossa função como parlamentares aqui é justamente estar neste debate contribuindo, não necessariamente para o ingresso na OCDE, mas para um debate nessa agenda”, completa.

Brasil recebeu convite para ingressar na organização em 2022 e participa de todos os comitês entre parlamentares dos países-membros e em ascensão à OCDE

Twitter/OECD

Mais de 130 deputados de 36 países participam de debates sobre perspectivas econômicas mundiais

Adaptações

O Congresso, para ele, cumpre a função de debate e não de fiscalização de políticas da OCDE. Segundo Bismarck, os parlamentares brasileiros terão voz na OCDE dentro do comitê parlamentar da organização. “O Brasil precisa de legislação para ingressar na OCDE” e isso “passa por este debate e passa pelo Parlamento”, lembra ele.

A organização tem exigências para os futuros países-membros, mas isso ainda não está em debate, de acordo com o deputado. “Várias adaptações são necessárias para se alinhar e cumprir o que a OCDE aceita. Então não há uma agenda prioritária legislativa. O que estamos fazendo aqui hoje é debatendo experiências, ouvindo especialistas das áreas de finanças, muito fortemente voltada à arrecadação, inflação e desemprego, para saber o que está acontecendo no mundo e saber se o Brasil está indo na mesma linha, se estamos melhores ou piores em determinados pontos”, afirma.

Bismarck está na capital francesa acompanhado pela deputada Adriana Ventura (Novo – SP) e de Célio Studart (PSD-CE), um grupo, segundo ele, suprapartidário com representantes de três campos ideológicos.  

Negociações

A adesão ao chamado “clube dos países ricos” era um dos principais objetivos do governo Jair Bolsonaro. Após tratativas, o Brasil foi convidado a iniciar negociações de acesso em janeiro de 2022. O processo poderia durar de três a cinco anos.

Em janeiro, durante a passagem do chanceler Olaf Scholz no Brasil, o presidente Lula disse estar disposto a discutir entrada no grupo dos países ricos, mas não queria participar como um país menor e observador.

O ministro da Economia, Fernando Haddad, também acenou, em Davos, com a possibilidade do Brasil dar continuidade ao processo de adesão e que Lula deve tomar uma decisão sobre o assunto. No entanto em março, o governo Lula reduziu a missão do Brasil junto à organização, sinalizando que a participação na organização não é mais prioridade.