Quinta-feira, 6 de agosto de 2026
APOIE
Menu

O ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, refugiado político na Argentina, anunciou neste domingo (19/01) os candidatos a presidente e a vice para as próximas eleições, no dia 3 de maio.

O ex-ministro da Economia, Luis Arce, foi o escolhido por Evo Morales para ser o seu sucessor como presidente enquanto o ex-chanceler, David Choquehuanca, foi o escolhido para vice pelo Movimento Ao Socialismo (MAS) nas próximas eleições gerais. “O candidato a presidente é o companheiro Luis Arce Catacora e a vice-presidente é o irmão David Choquehuanca”, anunciou Morales ao final da convenção num hotel no centro de Buenos Aires sem, no entanto, ter os dois escolhidos ao seu lado.

Tudo que a grande mídia não mostra, do seu jeito.

Ícone Newsletter

Newsletter

Notícias internacionais, com análise crítica e independente. Sem filtros.
Ícone WhatsApp

Canal do WhatsApp

O mundo em movimento direto no seu celular. Siga!
Ícone YouTube

OM no YouTube

Opinião, contexto e coragem jornalística. Tudo no nosso canal. Sintonize!

Evo Morales explicou que, com a dupla, procura “uma combinação entre companheiros da cidade e companheiros do campo”. O conflito entre campo e cidade resume a divisão na Bolívia: camponeses indígenas, alinhados com Morales, e cidadãos urbanos, contrários. O país em duas metades: pobres (indígenas) contra ricos (cidades).


FORTALEÇA O JORNALISMO INDEPENDENTE: ASSINE OPERA MUNDI

Mais lidas

“Precisamos de aliados da cidade, do campo, outros intelectuais com conhecimento científico do nosso tempo”, explicou em referência a Luis Arce, um técnico, e a David Choquehuanca, um líder nos movimentos sociais, sindicais e indígenas.

Razões para as escolhas

Luis Arce, de 56 anos, é o ex-ministro da Economia de Evo Morales. É o responsável pela estabilidade da economia boliviana que teve forte crescimento com superávit fiscal e comercial até 2014, graças ao elevados preços das matérias primas, principalmente o gás.

Com Luis Arce como candidato a presidente, Morales tenta recuperar o eleitorado perdido de classe média e tenta dar um sinal de pragmatismo e de moderação ao mercado.

Ex-ministro da Economia, Luis Arce, foi o escolhido por Evo Morales para ser o seu sucessor como presidente enquanto o ex-chanceler, David Choquehuanca, foi o escolhido para vice

Reprodução

Luis Arce, de 56 anos, é o ex-ministro da Economia de Evo Morales

Com o candidato a vice-presidente de 58 anos, David Choquehuanca, Evo Morales procura a coesão dos movimentos indígenas e sindicais, origem de Choquehuanca, quem foi o chanceler de Morales entre 2006 e 2017. “É uma boa dupla do ponto de vista eleitoral porque Luis Arce apela à classe média, setor que Evo Morales perdeu nos últimos tempos. Essa é uma escolha para recuperar esse setor.

David Choquehuanca vai representar a base indígena do MAS”, explica à RFI o analista político boliviano, Raúl Peñaranda. “É uma dupla que funciona para os atuais desafios do partido de união e de ampliação da sua base eleitoral”, acrescenta.

Radicais e moderados

Previamente ao anúncio dos candidatos escolhidos, os principais referentes do partido assinaram um “acordo pela unidade e pelo fortalecimento” do MAS, um instrumento para evitar que os rumores de ruptura interna no partido tornem-se realidade.

“O MAS está hoje dividido entre aqueles que, com a ausência de Evo Morales da Bolívia, começaram a ter voz no partido. Alguns são mais moderados e pragmáticos. Entendem que a situação na Bolívia mudou. Já outros têm uma posição mais radical, mais próxima de Morales”, avalia Peñaranda. “A divisão pode ser entre moderados e radicais ou entre mais distantes mais próximos de Evo Morales”, sintetiza

Na semana passada, o Pacto de Unidade, uma aliança de movimentos sociais, sindicais e indígenas escolheu como candidatos do partido para presidente David Choquehuanca e, para vice, o jovem Andrónico Rodríguez, de 30 anos. Evo Morales justificou ter retirado da chapa o jovem líder do cultivo de coca, Andrónico Rodríguez, considerado o herdeiro de Morales e quem lidera as sondagens de intenção de voto, como uma estratégia em nome de um projeto político. “É verdade que liderava as sondagens, mas, às vezes, temos de saber sacrificar-nos por um projeto político. Claro que dói”, desculpou-se Evo Morales.

Liderança no exílio

“Evo demonstrou que é quem toma as decisões finais. Demonstrou que a sua liderança não está em dúvida”, observa Peñaranda. “Não me abandonem”, pediu Morales ao auditório com cerca de 50 dirigentes do MAS e integrantes da numerosa comunidade boliviana na Argentina. Falta ver como o partido vai reagir em La Paz com aqueles que não quiseram vir à reunião. São setores que respondem à presidente do Senado, Eva Copa, e ao presidente da Câmara de Deputados, Sergio Choque, os que mais distanciaram-se de Morales.

“A esses setores o partido deve oferecer vagas para deputados e para senadores para mantê-los, de alguma maneira, satisfeitos com este acordo. Há espaços para repartir cargos no Legislativo nas próximas eleições”, aponta Raúl Peñaranda.