No anúncio, o Comitê do Prêmio Nobel felicitou Ahmed “por sua iniciativa decisiva na resolução do conflito na fronteira com a Eritreia”. Os dois países retomaram suas relações em julho de 2018, após anos de hostilidades que deixaram mais de 80 mil mortos.
A presidente do Comitê do Prêmio Nobel, Berit Reiss-Andersen, também destacou o trabalho do presidente da Eritreia, Issaias Afworki. “A paz não é alcançada apenas com as ações de uma única pessoa. Quando o primeiro-ministro Abiy estendeu a mão, o presidente Afwerki aceitou e ajudou a dar forma ao processo de paz entre os dois países”, afirmou.
Décadas de hostilidades
A Etiópia e a Eritreia foram palco de uma sangrenta guerra, de 1998 a 2000. As hostilidades entre os dois países, no entanto, duraram décadas, desde a anexação do território eritreu pelo imperador etíope Hailé Sélassié, em 1962. Nem mesmo a assinatura de um acordo de paz, em 2000, conseguiu colocar um fim à violência armada, especialmente na fronteira entre as duas nações.
Ao assumir o poder, em abril de 2018, Ahmed rompeu com a tradição do autoritarismo dos governos antecessores. Classificado como visionário e reformador, o jovem dirigente inspirou otimismo em uma região castigada por conflitos. Entre suas principais façanhas, o premiê permitiu a libertação de milhares de prisioneiros políticos, criou uma comissão de reconciliação nacional e retirou proibições a certos partidos.























