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O presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, considerou que seu país vive nesta sexta-feira (14/07) “um dia histórico e muito triste” após a prisão preventiva, na noite de quinta (13/07), de seu antecessor no cargo, Ollanta Humala (2011-2016), e sua esposa, Nadine Heredia, por corrupção. Pouco antes de ser preso, Humalla disse que a detenção era uma confirmação de “abuso de poder'.

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“O dia é histórico, certamente. Afinal é muito triste o que está ocorrendo e espero que o processo do senhor Humala e de sua esposa transcorra rápido e de forma transparente (…) Não opinarei sobre o processo, só peço que seja rápido, porque a prisão preventiva é um tema bastante discutido”, afirmou Kuczynski, do partido de direita PPK (Peruanos por el Kambio), nas primeiras declarações públicas após ser divulgada a detenção do ex-presidente.

O atual mandatário afirmou lamentar a prisão de Humalla. “Tomo [a prisão] com muita tristeza. A verdade, e quero dizer, é que estamos fazendo todos os esforços para que haja processos rápidos, os devidos processos. Mas isso depende da Procuradoria e do Poder Judicial, que são autônomos, e não do Executivo”, disse.

Agência Efe

Humalla e a esposa, Nadine, foram presos nesta quinta-feira sob acusações de corrupção

Ex-presidente Ollanta Humala e a esposa, Nadine Heredia, foram presos na noite desta quinta; "esta é a confirmação do abuso de poder, que nós vamos enfrentar", disse ex-mandatário; ex-primeira-dama diz não haver provas

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Kuczynski afirmou que a decisão do juiz Richard Concepción Carhuancho, de condenar a 18 meses de prisão preventiva o ex-presidente e sua mulher, constitui “um dia trágico para a família”. O atual presidente disse que a situação é “trágica e lamentável” também para a imagem pública do Peru, com três ex-presidentes com graves problemas com a Justiça, e defendeu a luta contra a corrupção do seu governo. “Pelo menos nesse assunto a imagem do Peru é boa, é um país que tomou medidas drásticas com um grande custo econômico e que está surgindo”, acrescentou.

Ex-presidente nega acusações

Humala e Heredia foram presos na noite de quinta em cumprimento a uma ordem de prisão preventiva por 18 meses, sob acusação de lavagem de dinheiro ao receber dinheiro por meio de caixa dois. O pedido de prisão preventiva de Humala foi feito a partir da delação de Marcelo Odebrecht, que afirmou ter destinado US$ 3 milhões para campanhas eleitorais do então candidato. 

Logo após a sentença do juiz e quando estava a caminho do tribunal, Humala, que nega as acusações, se pronunciou no Twitter. “Esta é a confirmação do abuso de poder, que nós vamos enfrentar, em defesa de nossos direitos e dos direitos de todos”, disse o ex-presidente, que deixou o poder em julho do ano passado, com a posse de Kuczynski.

Heredia, ex-presidente do centro-esquerdista Partido Nacionalista Peruano, hoje liderado por seu marido, também se manifestou. “Apesar da arbitrariedade, estamos aqui, confiamos que esta decisão será revertida, por se tratar de justiça”, disse, também em seu perfil no Twitter. “Agradeço aos que não sentenciam antes do tempo e acreditam na inocência até que existam provas em contrário. Hoje, elas não foram apresentadas”, acrescentou.

A defesa do casal recorreu da medida tomada após uma audiência que durou cinco horas, em que o juiz apresentou seus argumentos para aceitar o pedido de prisão preventiva contra o casal. Ele afirmou que convergiram diversos critérios, como a gravidade da pena e a quantidade dos danos causados, que justificaram a decisão, que ele classificou como “idônea e necessária”, bem como “proporcional” aos crimes praticados.