Carlos Ferreira Martins: A culpa não é das chuvas... nem do vírus

Das enchentes e deslizamentos para o coronavírus nas manchetes diárias, ficam para as páginas especializadas as notícias sobre o derretimento econômico do país

Enchentes, deslizamentos, soterramentos, perdas materiais e mortes não saem do noticiário nos últimos meses. Diante delas não erraríamos ao afirmar que as cidades brasileiras estão derretendo diante da incúria, da imprevisão e da ganância. 

Mas não é só aí que o país está derretendo. Com o dólar batendo recorde várias vezes por semana, já disse um dos melhores analistas políticos da nossa imprensa, o humorista José Simão, que a empregada não vai mais para a Disney... e a patroa também não.

Das enchentes e deslizamentos para o coronavírus nas manchetes diárias, ficam para as páginas especializadas as notícias sobre o derretimento econômico do país. 


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E aqui também é preciso dar o nome certo aos bois. O dólar não está subindo. Nos últimos meses o dólar não se fortaleceu frente à média das moedas do planeta. É o real que desvaloriza dia a dia. Até mesmo frente ao peso argentino, com toda a crise enfrentada pelo país vizinho.


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Enchentes, deslizamentos, soterramentos, perdas materiais e mortes não saem do noticiário nos últimos meses

Lembra, leitor, dos milhões de dólares de investimento estrangeiro que viriam no dia seguinte à derrubada da Dilma? 

Pois é, só neste início de ano, ou seja, em 9 semanas, os investidores estrangeiros já tiraram do Brasil a bagatela de 45 bilhões de dólares.

Quanto é isso e o que significa?

Isso é mais do que em todo o ano passado e mais do que em 2008, no auge da maior crise econômica que o planeta viveu desde a histórica quebra da bolsa de Nova York em 1929.

Isso significa que os grandes investidores internacionais não acreditam nas balelas deste governo e vão continuar levando seus dólares para refúgios mais seguros. E alguém acha que botar humorista para dar banana para jornalista ou inventar a piada da diferença entre PIB público e PIB privado fará esses investidores mudarem de ideia?

Enquanto isso o charlatão que se finge de médico e trabalha no posto Ipiranga repete pela enésima vez – e a imprensa cacareja junto – que para curar o paciente que vem definhando há mais de três anos é preciso dar mais doses do remédio que o está matando. 

Na Idade Média se acreditava que sanguessugas curavam os pacientes. Curioso que essa superstição sobreviva. 

*Carlos Ferreira Martins é Professor Titular do IAU-USP São Carlos 

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