A gente sabe que as eleições nos EUA, que vão definir se Donald Trump continua na presidência ou se o democrata Joe Biden assume o cargo, às vezes se assemelham a um filme de terror. Todo dia, surge ou alguma acusação nova, ou alguma gafe, e nos faz desejar que fosse tudo mesmo uma obra de ficção.
Para ajudar a passar o tempo até a eleição – que está marcada para 3 de novembro – Opera Mundi fez uma seleção de filmes e séries sobre o assunto. São dramas, documentários e comédias que ou ajudam a contar a história de eleições passadas, retratam o cotidiano do poder norte-americano, ou mesmo só fazem rir de algumas situações mais patéticas, por assim dizer.
Veja a lista:
O pleito de 2000, entre o democrata Al Gore e o republicano George W. Bush, foi um marco na história eleitoral dos EUA. Bush virou presidente por 537 votos, depois de uma recontagem tensa na Flórida. É justamente esse o tema de “Recontagem” (2008), filme para TV vencedor do Emmy de 2008, com Kevin Spacey, Denis Leary e Laura Dern.
Spacey faz Ron Klain, ex-chefe de Gabinete de Gore que foi indicado pelo então vice-presidente para liderar o Comitê de Recontagem dos Democratas (sim, chegou a esse ponto). Ele precisa enfrentar um adversário de peso: o ex-secretário de Estado James Baker (interpretado por Tom Wilkinson), que chegou à Flórida disposto a evitar a derrota de Bush.
Vale a pena destacar o papel de Dern, que encarnou a então secretária de Estado da Flórida Katherine Harris. Seu desempenho foi tão bom que a atriz venceu, em 2009, o Globo de Ouro de melhor atriz coadjuvante em filme para TV e foi indicada na mesma categoria para o Emmy.
O filme está disponível nesta plataforma de streaming, e você pode ver o trailer aqui:
O documentário “Mitt” acompanha a campanha à presidência do ex-governador do Massachusetts Mitt Romney em 2008 – quando não passou das primárias – e em 2012, quando foi à eleição geral e enfrentou o então presidente democrata Barack Obama.
No meio do caminho, Romney e a esposa, Ann Davis, descobrem que ela está com esclerose múltipla. O filme, apesar de tentar criar uma imagem de bom moço para o candidato, é uma ótima pedida para quem quer saber como é uma campanha norte-americana por dentro.
O documentário também mostra a hora em que Romney percebe que perdeu para Obama. Ele estava tão confiante na vitória que não tinha nem preparado um discurso de derrota.
Um clássico do diretor Robert Altman, o filme se passa, como o próprio nome indica, na cidade de Nashville, no Tennessee, famosa em todo o mundo pelo country e pelo gospel. “Nashville” registra, durante cinco dias, as vidas de 24 personagens enquanto a cidade aguarda a chegada do candidato presidencial pelo fictício Partido da Substituição, Hal Phillip Walker – que nunca aparece no filme.
“Nashville” é uma das obras mais bem feitas a sociedade norte-americana, explorando suas relações com a música, as armas e a política. Destaque para a cena final, com Barbara Harris cantando “It don’t worry me”: sugerimos que você preste bastante atenção em cada detalhe.
O filme, vencedor do Oscar de melhor canção original, está disponível nesta plataforma de streaming. Este é o trailer:
Imagine que você é um candidato republicano precisando defender um governo republicano muito impopular e disputando a eleição contra um democrata que arrasta multidões por onde passa. Era exatamente o problema que o republicano John McCain (1936-2018) enfrentava em 2008, tendo que ir às urnas contra a “novidade” Barack Obama. O que você faria?
McCain decidiu criar uma surpresa na sua campanha e chamou para sua vice a então desconhecida e reacionária governadora do Alasca, Sarah Palin. O filme “Virada no Jogo” conta a história da escolha de Palin, dos efeitos iniciais e do desastre que a decisão acabou se revelando.
Palin é interpretada por Juliane Moore – que está i-gual à política norte-americana. Já McCain é feito pelo ator Ed Harris. O filme está disponível nesta plataforma de streaming. Este é o trailer:
Lançado em 1997 e dirigido por Barry Levinson, “Wag the dog” – ou “Mera Coincidência” aqui no Brasil -, é uma comédia cáustica sobre como criar narrativas em tempos de campanha presidencial.
Um relações públicas (Robert de Niro) e um produtor hollywoodiano (Dustin Hoffman) se juntam para salvar o que resta da pele do presidente em exercício acusado de abuso sexual e às portas de sua reeleição. Lançado um mês antes de o caso Monica Lewinsky varrer noticiários mundo a fora, o filme foi e continua mais atual do que nunca por abordar fake news e manipulação midiática de forma precisa.
Mesclando estilos e formas, Vice foi lançado em 2018 e deu o que falar: o filme de Adam McKay tenta dar conta tanto da mediocridade, como dos super poderes do vice-presidente Dick Cheney, que esteve no cargo durante o governo do republicano George W. Bush (2001-2009).
Cheney é interpretado por Christian Bale. Além de retratar como se dão os jogos de poder nos EUA, o filme conta como Bush e Cheney se aproximaram para formar a chapa que derrotou, no colégio eleitoral, o então vice-presidente democrata Al Gore.
“Vice” coloca em evidência como a vida dos cidadãos comuns depende, em grande parte, de pessoas que atuam nas franjas do poder. Você pode ver o filme nesta plataforma de streaming.
Dadas as devidas proporções, o documentário “Weiner” junta um pouco o que foi o clima geral das eleições de 2016.
O democrata Anthony Weiner é o personagem central desse documentário. Quando era deputado, viu sua reputação derreter depois de tuitar as próprias nudes. Passado um tempo, “Weiner” ressurge com a imagem lapidada e resolve concorrer para a prefeitura de Nova York em 2016 e, de fato, aquela parecia uma eleição ganha.
Porém, um novo escândalo coloca a campanha em perigo. E não só a dele: a esposa de Weiner, Huma Abedin, era uma das principais assessoras da democrata Hillary Clinton à época.
De um lado, um presidente buscando reeleição, abalado por descompassos econômicos e uma guerra impopular; do outro, um governador com pouca projeção nacional.
“The War Room”, documentário de 1993, acompanha os bastidores e as etapas da campanha que lançou o nome do então desconhecido Bill Clinton e que terminou se sagrando vitoriosa no final de 1992 contra o então presidente republicano George H. W. Bush.
Uma curiosidade: um dos principais assessores de Clinton à época e personagem central do documentário, o jornalista George Stephanopoulos, é hoje o âncora-chefe dos noticiários da emissora norte-americana ABC.
Dois jornalistas do Washington Post começam a investigar a invasão do prédio Watergate e se deparam com um esquema de escutas na sede do partido Democrata em plena época de eleição e lavagem de dinheiro. A investigação culminou com a renúncia do então presidente republicano Richard Nixon.
O já clássico “Todos os Homens do Presidente”, de Alan Pakula, é um bom retrato dos caminhos e riscos tomados durante uma das apurações jornalísticas mais celebradas da história.
De tão importante, foi selecionado para integrar a coleção audiovisual da biblioteca do Congresso dos EUA. Robert Redford interpreta o jornalista Bob Woodward, e Dustin Hoffman, o repórter Carl Bernstein. Você pode assistir ao filme nesta plataforma de streaming.
Inspirados por um artigo publicado na revista New Torker, Dylan Bank, Daniel DiMauro e Morgan Pehme resolveram documentar a vida do marqueteiro por trás da campanha de Donald Trump. Sem papas na língua e com falas incisivas e chocantes, Roger Stone descortina toda a sorte de artimanhas e estratégias que usa para convencer o eleitorado: mentiras, confusões, falsas equivalências e, claro, muita virulência.
Stone foi condenado por obstrução de justiça neste ano, mas teve a pena comutada por Trump.
”Get Me Roger Stone” está disponível nesta plataforma de streaming.
Pioneiro na forma e no estilo, “Primary”, de 1960, permanece sendo objeto de atenção até hoje. O documentário retrata as primárias democratas entre John F. Kennedy e Hubert Humphrey, vencidas por Kennedy.
Além de capturar um momento de virada na política norte-americana, também inovou pelo tratamento da imagem e uso do material numa época em que documentários não eram projetos comuns – mais por conta das limitações técnicas e, menos, pela falta de vontade.
George McGovern é um nome da política norte-americana até hoje pouco conhecido fora dos EUA. “One Bright Shining Moment”, de 2005, tenta resolver esse problema.
O documentário abrange boa parte de sua trajetória acadêmica e principalmente política – onde se destacou por seu caráter progressista e antibelicista quando os Estados Unidos se questionavam sobre a viabilidade da guerra no Vietnã. Sua carreira foi eclipsada pela histórica derrota em 1972 contra Richard Nixon – a segunda maior lavada no Colégio Eleitoral da história do país.
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Os bastidores do poder ganharam cara, humanidade e um texto refinado entre 1999 e 2006 com “The West Wing”, de Aaron Sorkin. A série retrata o cotidiano do presidente democrata Josiah Bartlet (Martin Sheen) e sua equipe, às voltas com crises, internas, externas e pessoais.
Muitos nomes hoje famosos participaram da série – como a atriz Allison Janney, vencedora do Oscar de melhor coadjuvante em 2018, que interpretou a secretária de imprensa C. J. Cregg, queridinha dos jornalistas até hoje.
“The West Wing” ganhou todos os prêmios da TV norte-americana na época e virou um clássico. Teve sete temporadas e culmina com a eleição do substituto de Bartlet na presidência.
Uma vice-presidente com intenções pouco nobres e um ego muito maior do que o cargo que ocupa: essa é Selina Meyer, personagem de Julia Louis-Dreyfus em “Veep”.
A série de Armando Ianucci, transmitida pela HBO entre 2012 e 2019, rendeu sete temporadas que contabilizaram 17 prêmios Emmy e chamaram a atenção pela ironia com que retratavam as instituições norte-americanas.
Você pode assistir a todas as temporadas da série nesta plataforma de streaming.
A adaptação de uma série britânica da década de 1980 sobre os bastidores do poder ganhou novos contornos e aspirações em sua versão norte-americana. Quando estreou em 2013 chamou a atenção pela direção segura e crua com que retratou os bastidores de Washington e a disputa por espaços de poder na Casa Branca.
Hoje, a produção que mudou os rumos das séries televisivas é em partes eclipsada pelos escândalos de assédio sexual de seu protagonista, Kevin Spacey.
Você pode assistir a “House of Cards” nesta plataforma de streaming.
Esta sugestão de série não é necessariamente sobre eleições, mas está no mesmo tema. A rotina democrática, os entraves burocráticos e muitas situações absurdas: esse é o tripé que sustenta o argumento de “Parks & Recreation” – ou Parks & Rec, como é comumente conhecido. Desde sua estreia, em 2009, vem angariando legiões de fãs pela capacidade de sintetizar com muito bom humor, situações peculiares da democracia norte-americana e, por extensão, de sua sociedade.
Você pode assistir à série nesta plataforma de streaming.
