Sábado, 13 de dezembro de 2025
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A Argélia anunciou nesta quinta-feira (23/09) o fechamento de seu espaço aéreo com seu vizinho Marrocos, acusando o país de de “provocações e práticas hostis”, sem dar mais informações. 

A medida pode agravar a tensão entre os países. De acordo com um comunicado, a presidência argelina decretou na quarta-feira (22/09) o fechamento “imediato” do espaço aéreo argelino “a todas as aeronaves civis e militares marroquinas e às aeronaves com matrícula marroquina”.

O anúncio surgiu depois de a Argélia decidir, em 24 de agosto, romper suas relações com o Marrocos. A decisão foi tomada durante uma reunião do Alto Conselho de Segurança, presidido pelo chefe de Estado, Abdelmadjid Tebboune, que também é ministro da Defesa.

O ministro das Relações Exteriores argelino, Ramtane Lamamra, criticou na época o governo marroquino por “nunca ter deixado de cometer ações hostis contra a Argélia”. “Os serviços de segurança e a propaganda marroquinas travam uma guerra desprezível contra a Argélia, o seu povo e seus dirigentes”, afirmou Lamamra.

Em 17 de março deste ano, a Argélia fechou sua fronteira aérea por conta da pandemia da covid-19. Elas foram reabertas em 1º de junho, parcialmente, para sete países. O Marrocos não estava nesta lista. A decisão de Argel afetará, sobretudo, os aviões marroquinos que sobrevoam o território argelino para realizar suas rotas.

Anúncio acontece quase um mês após presidência argelina decidir romper relações com território vizinho por 'ações hostis' que teriam sido cometidas pelo Marrocos

Wikicommons

Imagem do Aeroporto Internacional Houari Boumedienne da Argélia

Marrocos lamenta ruptura

O Marrocos lamentou, por sua vez, a decisão da Argélia de romper relações, classificando-a de “completamente injustificada”. Tradicionalmente difíceis, estas relações bilaterais se deterioraram, sobretudo, devido à questão do Saara Ocidental. Este vasto território desértico é quase 80% controlado pelo Marrocos.

Nesta ex-colônia espanhola, considerada “território não autônomo” pela ONU na ausência de uma solução definitiva, Marrocos enfrenta há décadas os separatistas da Frente Polisário, que contam com o apoio da Argélia.

Briga antiga

Os independentistas exigem a realização de um referendo de autodeterminação contemplado pela ONU, enquanto o Marrocos, que controla mais de dois terços dessa ex-colônia espanhola no Magrebe, propõe no máximo uma autonomia sob sua soberania.

A normalização das relações diplomáticas entre Marrocos e Israel, em troca do reconhecimento da “soberania” marroquina sobre o território por parte dos Estados Unidos, intensificou as tensões com a Argélia, que apoia a causa palestina. Além disso, o governo argelino denunciou que se tratam de “manobras estrangeiras” para desestabilizar o país.

 Os vínculos diplomáticos entre Argélia e Marrocos foram quebrados pela primeira vez em 7 de março de 1976, quando Argel reconheceu a República Árabe Saaraui Democrática (RASD), autoproclamada pelos independentistas da Frente Polisário.