Sexta-feira, 6 de março de 2026
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Somente a União Africana e a Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC, na sigla em inglês) condenaram a tomada do poder em Madagascar pelo líder da oposição, Andry Rajoelina. O secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban-Ki-Moon, pediu calma e uma transição “suave”. Individualmente, nenhum país se manifestou até o momento. Nem os Estados Unidos, que apoiam o presidente deposto, Marc Ravalomanana.

A pouca importância de Madagascar no cenário político e econômico mundial explica as discretas manifestações da comunidade internacional, segundo Stephen Ellis, especialista em história e política de Madagascar do Centro de Estudos Africanos em Leiden, Holanda.

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“Os africanos estão, na verdade, envergonhados, pois um novo golpe no continente pode significar uma volta da ‘era dos golpes’. É ruim para a imagem da África”, informou segundo a BBC.

Para o especialista, a maioria dos países do Ocidente não apoia mudanças políticas sem base democrática, mas dificilmente haverá interferência no destino de Madagascar. “O país não é relevante. É um dos mais pobres do mundo”.

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Baunilha

Segundo dados do Banco Mundial, 70% da população vive com menos de 1 dólar por dia; o PIB (Produto Interno Bruto) per capita é de mil dólares (210º no ranking mundial – o Brasil é o 96º, com 9,7 mil); a inflação é de 9,5% ao ano; a taxa de mortalidade infantil é de 55 óbitos para cada mil nascimentos e a expectativa de vida não passa dos 62 anos.

A economia é baseada no turismo, que movimenta 390 milhões de dólares por ano, e na exportação da baunilha – o país é o maior exportador mundial, com 2 mil toneladas/ano, enquanto a demanda internacional é de 3 mil, conforme dados do governo.

“Será interessante ver se a França, uma nação que sempre delegou a favor da liberdade e da preservação das instituições políticas, e que ocupou o país por mais de 70 anos, se manifestará quanto à situação em Madagascar”, afirmou Stephen Ellis.

EUA

Os Estados Unidos ameaçaram cortar a ajuda dada a Madagascar se forem tomadas medidas anticonstitucionais na resolução da crise que afeta o país.

“Quero deixar claro que se for usada qualquer solução fora do que é estabelecido pela Constituição, a ajuda americana a Madagascar será suspensa”, disse o porta-voz adjunto do Departamento de Estado, Robert Wood, em coletiva de imprensa.

Madagascar é bastante alinhado aos Estados Unidos e tinha relações estreitas com a administração Bush. O país norte-americano não cobra impostos dos produtos de Madagascar, segundo o site da CIA (Inteligência norte-americana).

O porta-voz disse que Madagascar está “em transformação” e garantiu que o presidente americano Barack Obama está “acompanhando os eventos de perto”.

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