Sexta-feira, 12 de dezembro de 2025
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A Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie) denunciou que seu líder do setor de relações internacionais, Eduardo Mendúa, foi assassinado por pistoleiros dentro de sua casa no último domingo (26/02). 

A Conaie acusou que o “crime está relacionado com o conflito do petróleo” no território da província de Sucumbíos, afirmando que fazem sete meses que a entidade realiza denúncias por conta conflito gerado pela atuação de empresas petroleiras.

“Exigimos justiça para nosso camarada Eduardo Mendúa, lutador social, defensor da natureza, que esteve na vanguarda da defesa territorial em meio ao conflito gerado pela empresa pública PetroEcuador na comunidade Cofán Dureno”, declarou a organização indígena

Por meio das redes sociais, o mais alto movimento indígena equatoriano apontou que Mendúa, de nacionalidade Kofán de Sucumbíos, na região amazônica (norte do país), “estava em sua fazenda quando homens encapuzados atiraram nele”.

O presidente da Conaie, Leonidas Iza, garantiu que a morte de Mendúa “está relacionada aos problemas socioambientais que existem no território dos povos e nacionalidades indígenas, onde querem impor o modelo extrativista que destrói a terra”.

Eduardo Mendúa, da Conaie, denunciava atuação de empresa petroleira Cofán Dureno em território indígena de Sucumbíos

Twitter/Conaie

Eduardo Mendúa foi morto a tiros em sua casa, na província de Sucumbíos

Iza denunciou que “existe monitoramento e fiscalização das lideranças indígenas”. Segundo ele, se “algo nos acontecer, será responsabilidade do governo equatoriano, já avisamos anteriormente que os líderes sociais estão sendo perseguidos”.

“Pedimos aos organismos internacionais que estejam atentos à situação dos povos indígenas do Equador. A segurança e a vida daqueles que defendem os territórios do extrativismo estão em perigo”, pediu o dirigente.

O ex-candidato presidencial do Correísmo [movimento político ligado ao ex-presidente Rafael Correa], Andrés Arauz, manifestou a sua solidariedade à família Mendúa e à Conaie pelo homicídio.“O sistema neocolonial de exploração faz mais uma vítima. É urgente uma mudança total no modelo de gestão soberana dos recursos naturais”, afirmou.

Por sua vez, o presidente do Equador, Guillermo Lasso,  expressou “solidariedade de seu governo à família Mendúa e à Conaie”.

“Esse crime não ficará impune. Ordenamos que todas as ações investigativas sejam realizadas para encontrar os responsáveis e levá-los à justiça”, disse o presidente equatoriano.

O assassinato de Mendúa ocorre em meio a uma crise entre o movimento indígena equatoriano e o governo Lasso. Organizações equatorianas têm como o fim da mineração em territórios indígenas uma das pautas exigidas após os 18 dias de greve nacional em junho passado.

Durante os protestos, movimentos sociais também exigiam redução dos preços dos combustíveis, retomada da política de subsídios para a população, geração de emprego, maior investimento em setores como saúde e educação, além da não-privatização de setores da economia. 

(*) Com TeleSUR