Quarta-feira, 21 de janeiro de 2026
APOIE
Menu

O relator especial das Nações Unidas sobre Tortura, Juan Méndez, afirmou nesta segunda-feira (09/03) que “a tortura e os maus-tratos são generalizados no México”. A declaração faz parte da conclusão que Méndez apresentou em um relatório elaborado após uma visita ao país latino-americano em 2014.

Para o funcionário das Nações Unidas, a violência no México ocorre “em contexto de impunidade” e torturas acontecem com o intuito de “punir ou extrair confissões ou informação”.

Tudo que a grande mídia não mostra, do seu jeito.

Ícone Newsletter

Newsletter

Notícias internacionais, com análise crítica e independente. Sem filtros.
Ícone WhatsApp

Canal do WhatsApp

O mundo em movimento direto no seu celular. Informação pronta para compartilhar
Ícone YouTube

OM no YouTube

Opinião, contexto e coragem jornalística. Tudo no nosso canal. Sintonize em Opera Mundi

Carlos Latuff/Opera Mundi

Com a presença de uma delegação mexicana, o relatório desenvolvido por Méndez será debatido hoje, no Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra. Para uma fonte diplomática do México consultada pela Agence France-Presse, o artigo tem provas “insuficientes”, pois apresenta a ótica de apenas uma visita de 11 dias ao país.

Mais lidas

A violência no México voltou ao centro de atenções da comunidade internacional, depois de 43 estudantes da escola de Ayotzinapa desaparecerem no dia 26 de setembro passado. Apesar de o caso chocar o país e o mundo, dados apontam que 5,6 pessoas são dadas como desaparecidas por dia em território mexicano. 

Assista a trechos da entrevista de Omar García sobrevivente de 26 de setembro:

Após passar 11 dias no país, relator especial das Nações Unidas diz que "contexto de impunidade" faz parte da rotina mexicana

NULL

NULL

Atualmente, mais de 23.605 pessoas estão desaparecidas no México. Somente em 2014, 5.098 pessoas sumiram. O número é 13% maior do que o registrado em 2013. Todos os anos são feitas milhares de denúncias por familiares, mas dificilmente os casos de desaparecimento são investigados e solucionados, como pode ser verificado no episódio de Ayotzinapa.

Além de evidenciar mundialmente o problema dos desaparecimentos no México, o caso dos 43 estudantes trouxe à tona a questão das valas comuns, onde são enterrados corpos não identificados.

Em novembro passado, o então presidente do Uruguai, José “Pepe” Mujica, afirmou que a impressão que tem é de que o México é uma espécie de “Estado falido”. De acordo com o mandatário, a vida humana no país “vale menos do que a de um cachorro” e situação é pior do que a vivenciada em uma ditadura, “que pelo menos tem enfoque político”, sendo que neste caso, trata-se somente de “corrupção” e “dinheiro”.

Leia mais matérias de Opera Mundi sobre crise de violência no México:

Ilustradores mexicanos homenageiam estudantes desaparecidos com retratos dos 43 rostos
Comunidade de Ayotzinapa busca respostas sobre paradeiro de estudantes
México vive dia de manifestações históricas contra violência e desaparecimentos
Massacre de estudantes no México expõe ligações entre polícia e crime organizado