Terça-feira, 23 de junho de 2026
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Os soldados norte-americanos que são deslocados para o combate têm um salário por cada dia que passam na frente de batalha inferior ao que permanecem nos Estados Unidos em treinamento, admitiu nesta semana o Departamento da Defesa norte-americano. O órgão afirmou que irá rever a situação.

Entretanto, a tarefa não vai ser fácil. Os EUA estão em período eleitoral e os republicanos prometem vetar toda nova despesa militar proposta pelo presidente democrata Barack Obama.

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Segundo um relatório divulgado pelo Departamento da Defesa, um oficial da reserva da Guarda Nacional, corpo ao qual pertence a maioria dos militares que mobilizados para a guerra, tanto no Iraque como no Afeganistão, ganha 407 dólares por dia durante os finais de semana de treinamento longe do perigo dos combates. Mas, quando é enviado para o Afeganistão, por exemplo, o salário desce a 318 dólares diários.

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Oficiais deslocados para guerras no Iraque e Afeganistão ganharam mais enquanto estavam na reserva

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A diferença ocorre pelo fato de que quando se encontra em treinamento de fim de semana, o militar ganha dois dias de salário por cada dia de treino. E na frente de combate, o governo paga um salário diário por cada dia de combate.

O serviço militar nos EUA não é obrigatório, mas todo norte-americano que se apresenta como voluntário na Guarda Nacional pode ser chamado a qualquer momento para a guerra, por isso deve ir a um fim de semana de treinamento todos os meses.

De qualquer modo, o salário dos oficiais norte-americanos, entre 9.768 e 7.632 dólares mensais brutos, contrasta enormemente com a média salarial latino-americana. Em janeiro deste ano, o salário mínimo na Argentina era de 545 dólares, no Brasil chegava a 388, na Bolívia não é mais que 118, no Chile equivale a 388, na Colômbia não passa de 327, no Peru é de 278 e na Venezuela, 360. Nos EUA, o salário mínimo é, em média, de 476 dólares mensais.

O estudo divulgado nesta semana costuma ser realizado a cada quatro anos, quando o Departamento da Defesa atualiza os salários dos seus oficiais. Mas neste ano, com as eleições presidenciais dentro de quatro meses, a Casa Branca decidiu torná-lo público para mostrar que está preocupada em melhorar os benefícios profissionais dos seus oficiais.

Nada novo

A questão da diferença de salários entre os oficiais que estão em treinamento e os que são enviados a combater não é propriamente uma novidade, o problema se arrasta há mais de 100 anos.

“Sempre me perguntei porque é que o pessoal ganha mais por assistir a um treinamento de fim de semana e menos por estar na frente de combate”, comentou ao diário The Daily o capitão reformado da Marinha, Thomas Bush, coordenador do estudo.

O documento propõe abertamente uma inversão no pagamento. Ou seja, defende o aumento do salário do pessoal em combate. Uma decisão, que se aprovada pelo Congresso, não será popular dentro das Forças Armadas, reconhece Bush.

“Mas a realidade está aí. Precisamos de mais incentivos ao pessoal para estimular as pessoas a entrarem na Guarda Nacional e nas unidades da reserva”, acrescentou Bush.

Apesar de tudo, o coordenador do estudo recordou que o salário dos oficiais que estão na frente de combate não é passível de impostos e existem outras compensações monetárias em função da violência na zona de guerra. “Mesmo assim, o pessoal que está em treinamento ganha mais”, acrescentou.