Fernando Carvall

Clara Zetkin: o socialismo é mulher e antifascista

'Toda conversa sobre como o Estado fascista colocará o interesse da nação acima de tudo, uma vez exposta aos ventos da realidade, estoura como uma bolha de sabão'

Em 1910, Clara Zetkin (1857-1910) já era um grande nome do socialismo internacionalista quando, junto com Luise Zietz (1865–1922), primeira mulher a ocupar um cargo de direção no Partido Social-Democrata da Alemanha, na Segunda Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, propôs a criação de uma jornada de manifestações anuais em todo os mundo para fortalecer as reivindicações feministas.

O encontro, realizado na Dinamarca, reuniu cem mulheres, de 17 países, representando sindicatos, partidos socialistas, associações de trabalhadoras e as três primeiras mulheres eleitas para o Parlamento finlandês. Desse encontro e dessa proposta, defendida também por Alexandra Kollontai, nasceu o Dia Internacional da Mulher.

Clara Zetkin é a mais nova carta do baralho Super-Revolucionários, projeto de Haroldo Ceravolo Sereza, autor dos textos, com desenhos do artista Fernando Carvall, que os sites Opera Mundi e Nocaute publicam. Essas cartas, numa análise séria, mas sem perder o humor jamais, atribuem "notas" à atuação desses grandes nomes da luta por um mundo mais justo e solidário.

A ideia é, depois de alcançarmos um número suficiente de cartas, montar um jogo inspirado no conhecido Super Trunfo e publicar um livro com os cards e informações sobre esses super-revolucionários.

Já foram publicadas cartas de Ernesto Che Guevara, Antonio Gramsci, Fidel Castro, Liudmila Pavlichenko, Luís Carlos Prestes, Frida Kahlo, Alexandra Kollontai, Bela Kun, Nelson Mandela, Mao Zedong, Simone de Beauvoir, Ho Chi Minh, Leon Trotsky, Olga Benario, Karl Marx, Salvador Allende, Tina Modotti, Carlos Marighella, Rosa Luxemburgo e Franz Fanon.

As notas são provisórias e estão sujeitas a modificação.

REBELDIA 8

Filha de pais protestantes, Clara Josephine Eissner nasceu em Wiederau, uma vilarejo camponês da Saxônia. Estudou para ser professora em Leipzig, para onde a família se mudou em 1872, onde conheceu o movimento feminista e o Partido Socialista dos Trabalhadores, que mudaria seu nome em 1890 para Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD).  O nome Zetkin adotou de seu primeiro companheiro, Ossip Zetkin (1850 -1889), com que não foi formalmente casada. 

DISCIPLINA 8

Zetkin foi uma militante aguerrida, tendo colocado, desde o início de sua militância, a questão da participação das mulheres na política, das igualdades de oportunidades e do voto feminino no centro de sua atuação. Rompeu com o SPD e, junto com Rosa Luxemburgo, fundou a Liga Spartaquista e o Partido Comunista Alemão, além de ter sido membro do Komintern.

TEORIA 8

Além da luta feminista, em que se destacou, entre outras coisas, pela direção da revista Die Gleichheit (A Igualdade), Zetkin foi uma importante pensadora da ascensão do fascismo, que viu acontecer nos anos 1920. 

POLÍTICA 7

A atuação de Zetkin foi estrurante de diversos movimentos do final do século 19 até os anos 1930, quando morre, na União Soviética, obrigada a se exilar diante do avanço nazista. Teve papel fundamental no Socorro Vermelho Internacional, entidade de assistência criada em 1922 para apoiar perseguidos políticos em países capitalistas.

COMBATIVIDADE 7

A firmeza de posições que levou Zetkin a romper com o SPD após o partido social-democrata apoiar a entrada da Alemanha na Primeira Guerra Mundial não impediu Zetkin de ser uma das principais defensoras da Frente Ampla contra o nazismo a partir de 1923. Nessa época, ela declara sem meias palavras:  “O programa fascista é esgotado pela frase: ‘porrada nos judeus’”.

INFLUÊNCIA 9

A atuação teórica e militante feminista fez de Clara Zetkin um dos nomes mais importantes da luta pela igualdade entre homens e mulheres, uma referência dos estudos e da militância de gênero. É dela também o livro Como nasce e morre o fascismo, em que faz uma análise muito objetiva do processo político e do discurso fascista.

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