Segunda-feira, 19 de janeiro de 2026
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A reunião entre o embaixador israelense no Brasil, Daniel Zohar Zonshine, e o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Mauro Vieira, na noite de segunda-feira (19/02) no Palácio do Itamaraty, foi “rápida” porém “desconfortável”. 

A Opera Mundi, fontes do Itamaraty relataram que, durante a conversa entre as autoridades, que durou cerca de 30 minutos, “foi transmitido desconforto com a forma pela qual Israel tratou o embaixador do Brasil [Frederico Meyer]”. 

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No encontro, Vieira teria manifestado a Zonshine a “irritação” em relação à forma pela qual o embaixador brasileiro em Tel Aviv, Frederico Meyer, foi tratado ao ser convocado pelo ministro das Relações Exteriores israelense.

Ainda segundo fontes do Itamaraty, Israel Katz teria “humilhado” o embaixador brasileiro ao tê-lo chamado para consultas fazendo uso da língua hebraica, sem apoio de intérpretes. Além disso, Vieira também teria ficado incomodado pelo fato da reunião com Meyer ter sido marcada “no Museu [do Holocausto], e não na chancelaria”.

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A conversa entre Zonshine e Vieira aconteceu no âmbito da crise diplomática entre Israel e Brasil, após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter sido declarado pelo governo em Tel Aviv de “persona non grata” por ter condenado as operações israelenses na Faixa de Gaza, que já deixaram mais de 29 mil palestinos mortos.

Com a escalada de tensões, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil decidiu convocar Zonshine para que comparecesse ao Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro. Além disso, também chamou o embaixador brasileiro em Tel Aviv, Frederico Meyer, para consultas.

A Opera Mundi, fontes do Itamaraty afirmaram que chanceler brasileiro teria ficado 'irritado' após Israel 'humilhar' embaixador brasileiro em Tel Aviv, Frederico Meyer

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Reunião entre Mauro Vieira e embaixador israelense foi marcada por 'desconforto'

‘Persona non grata’

No domingo (18/02), durante entrevista em Adis Abeba, na Etiópia, onde participou nos últimos dias da 37ª Cúpula da União Africana e de reuniões bilaterais com líderes do continente, Lula associou os ataques israelenses contra o povo palestino ao movimento nazista de quando “o Hitler resolveu matar os judeus”. O petista negou que as ações promovidas pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu se tratavam de uma guerra somente, mas sim de um “genocídio”: 

“Não é uma guerra de soldados contra soldados. É uma guerra entre um exército altamente preparado e mulheres e crianças”, declarou o mandatário.

A reação de Netanyahu foi imediata, ao descrever as palavras do petista como “vergonhosas” e considerá-las “uma banalização do Holocausto”.

Em seguida, o ministro das Relações Exteriores, Israel Katz, decidiu “convocar imediatamente” o embaixador brasileiro em Tel Aviv para expressar sua “repreensão” às declarações de Lula.

Na segunda-feira (19/02), o governo de Israel declarou o presidente do Brasil como “persona non grata” até que ele “peça desculpas e se retrate de suas palavras”.