Terça-feira, 6 de outubro de 2026
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Há um ano e meio vivemos uma rotina socialmente estressante. O presidente avança dois passos sobre a legalidade, a sociedade reage, o presidente recua um passo. Logo depois, ele, um de seus filhos ou generais avisa que eles podem fechar o STF com um cabo e um soldado, ou editar um novo AI5 ou, enfim, levar embora a bola do jogo.

E assim, de passo em passo, se ainda não se reconhece um regime militar típico, já não dá mais para dizer que estamos num regime democrático de direito.

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Nesse regime sem nome, os mortos pela gripezinha chegam a 42 mil. 42 vezes o que o “médico” Osmar Terra “garantiu”. Seis vezes o que o dono da Madero achava “razoável”. O segundo número de mortos no planeta, no único país em que as curvas de contaminação e mortes estão na ascendente. 

E o genocida na presidência, em lugar de ao menos fingir solidariedade às famílias, convoca seus seguidores a invadir hospitais, seguindo sua espiral de contaminação e morte. E seus seguidores, em lugar de respeitar a dor de quem perdeu entes queridos e os homenageia nas areias de Copacabana, arrancam cruzes.

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Enquanto isso a estratégia do desmatador geral da república continua funcionando. Aproveitando a “distração da pandemia”, o destruidor da educação enviou ao Congresso uma medida provisória propondo que, durante a pandemia, o ministro possa indicar interventores nas universidades e institutos federais para substituir os reitores em fim de mandato.

E assim, de passo em passo, se ainda não se reconhece um regime militar típico, já não dá mais para dizer que estamos num regime democrático de direito

Marcos Corrêa/PR

Se fosse só uma questão de lógica seria o caso de perguntar por que não se pode continuar o processo legal de indicação das listas tríplices? Afinal, não é só uma gripezinha? Afinal, não é para voltar ao normal? 

A medida provisória era escandalosamente ilegal porque a anterior venceu os seis meses sem ser aprovada pelo Congresso e, pela lei, o executivo não pode enviar MP equivalente no mesmo ano.

Além disso, seu teor é tão flagrantemente inconstitucional e a reação de parlamentares e instituições foi tão imediata, que o presidente do Senado cumpriu a lei e devolveu a medida.

Foi só uma pequena vitória, mas suficiente para que mais um general, dessa vez da ativa e chefe da Secretaria de Governo, viesse a público declarar que os militares não querem dar um golpe, mas “o outro lado” não pode “esticar a corda”.

Como ele não foi adiante ficam dúvidas (ou fuzis?) pairando sobre nossas cabeças. Esperar que a constituição seja cumprida é esticar a corda? Esperar que o presidente deixe de estimular as mortes na pandemia é esticar a corda? Chorar os mortos é esticar a corda?

Lembrar da corda do assassinato de Vladimir Herzog é esticar a corda?

*Carlos Ferreira Martins é Professor Titular do IAU-USP São Carlos 

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